As aulas presenciais na rede estadual de educação de Mato Grosso retornaram no final do ano de 2021, contudo, o grande desafio foi enfrentado em 2022.

“O nosso retorno das aulas foi diferente, foi atípico, porque esse aluno não tinha mais o hábito de ir para a escola. E quando falamos de hábito é o de levantar, pentear o cabelo, escovar os dentes… quando você deixa de fazer isso e você tem que voltar a fazer, gera um desconforto. Então esse aluno, principalmente do Ensino Médio, já tinha uma atividade paralela, já tinha procurado um trabalho. E como resgatar esse aluno para a escola? Então tivemos que trabalhar muito essa questão da busca ativa, trabalhar com o chamamento dessas crianças para a unidade escolar e voltar ao hábito de estudar [presencialmente]”, relembra o responsável pela Diretoria Regional de Educação (DRE) em Tangará da Serra, Saulo Scariot .

Com o retorno, outra preocupação foi levada em consideração – o abalo psicológico sofrido por esses alunos durante a pandemia, que, muitas vezes, perderam pais, avós e outros familiares próximos. “Através de políticas de projetos complementares trabalhamos o socioemocional com todas as crianças, dentro de sala de aula. Além disso, o Estado contratou, aqui dentro da DRE, dois psicólogos, um para trabalhar com os professores e com os funcionários das escolas, e outro para trabalhar com os alunos, de forma estratégica, não clínica. Identificado essa escola que passa por essa dificuldade, esse psicólogo trabalha dentro da unidade escolar”.

Há também outros profissionais para esse acompanhamento, como assistentes sociais. “Sem as pessoas não conseguimos fazer educação”.