Hoje completo 38 anos. Trinta e oito voltas ao redor do sol. Acordo e olho para o espelho. Não para conferir novos fios brancos, mas para encarar os olhos daquele que já foi tantas versões de mim mesmo.
Aniversários têm esse poder, não é? Nos fazem parar. Nos obrigam a olhar para trás e para frente ao mesmo tempo, como se estivéssemos em uma encruzilhada onde passado e futuro se encontram no agora.
Lembro do menino que fui. Aquele que corria descalço, que sonhava sem limites, que acreditava que o tempo era infinito. Ele ainda vive em mim, nas risadas com minha filha, nos momentos em que me permito brincar sem me importar com julgamentos.
Aos 38, carrego cicatrizes invisíveis. Algumas doem quando o tempo muda, outras já se transformaram em histórias que conto com um sorriso. Cada uma me ensinou algo. Cada uma me fez quem sou hoje.
Penso nas pessoas que amo. Algumas já não estão mais aqui, mas continuam presentes em cada gesto que aprendi com elas, em cada palavra que repito para minha filha. Outras estão ao meu lado, me lembrando que o sentido da vida está nas conexões que criamos.
A finitude. Como ela se torna real a cada aniversário! Não com medo, mas como lembrete de que cada dia é precioso. Quando jovens, pensamos ter todo o tempo do mundo. Aos 38, sei que não é assim.
Hoje, enquanto sopro as velas, não peço por coisas. Peço por momentos. Por mais tardes com minha filha. Por mais conversas profundas. Por mais chances de fazer diferença na vida de alguém.
O tempo passa diferente agora. Em abraços. Em olhares. Em silêncios compartilhados. Em risadas até a barriga doer. Em lágrimas que curam feridas antigas. Em mãos que se entrelaçam nas nossas quando mais precisamos.
Aos 38, entendo que a vida não é uma linha reta, mas uma espiral. Voltamos aos mesmos pontos, mas sempre em níveis diferentes. Os desafios se repetem, mas nós somos diferentes a cada vez que os enfrentamos.
Olho para o futuro com a serenidade de quem entende que o mundo já está dentro de nós. Não quero mais ter tudo, quero SENTIR tudo. Não quero mais ser alguém, quero estar PRESENTE.
E você, quando parou para refletir sobre sua jornada? Sobre quem ama? Sobre a finitude que nos torna humanos e, paradoxalmente, eternos através do que deixamos nos corações que tocamos?




