Hoje é dia de falar de uma modalidade educacional que durante muito tempo foi relegada a segundo plano seja na legislação educacional, seja no investimento público. Estou me referindo aqui a educação profissional e tecnológica que hoje é uma das principais redes de formação do país e está configurada para ofertar cursos desde a qualificação de nível médio à pós graduação em nível de mestrado e doutorado.

Do ponto de vista da legislação. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação estabelece que existem apenas dois níveis: a educação básica e a educação superior. No entanto, a educação profissional é uma modalidade, ou seja, uma forma de fazer educação que perpassa os dois níveis educacionais.

Existem cursos de qualificação profissional que na legislação recebem o nome de cursos de formação inicial e continuada - FIC e que geralmente não exigem uma escolaridade prévia para se ingressar. No nível médio temos os cursos técnicos nas mais diversas áreas e cujo concluinte recebe um diploma que o habilita a exercer uma profissão reconhecida e referenciada no Código Brasileiro de Ocupações - CBO. Ainda no nível médio existem as especializações técnicas que tem por objetivo aprofundar conhecimentos em determinada área de ocupação profissional.

Em se tratando de nível superior os principais cursos são os que conduzem ao grau acadêmico de tecnólogo. Eles tem o mesmo valor legal de um bacharelado ou de uma licenciatura, são portanto cursos superiores de graduação. Existem ainda os mestrados profissionais e mais recentemente passaram a existir os doutorados profissionais. Sendo assim podemos dizer que as formações voltadas para o mundo do trabalho estão vivendo um momento de alta no país.

Em Mato Grosso o Instituto Federal (IFMT) é o representante da esfera federal na oferta de cursos da área profissional e tecnológica. A instituição tem hoje dezenove campus e oferta cursos em todos os níveis: qualificação, técnico, tecnólogo e pós-graduação. Sua qualidade é referenciada pelos mais de 110 anos de atuação no estado.

Outra ofertante de expressão da modalidade são as Escolas Técnicas Estaduais (ETE) vinculadas a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECITECI). Atualmente são dez escolas que ofertam cursos de qualificação e técnicos, mas já há estudos que apontam para oferta de cursos superiores de tecnologia a partir de 2023.

O Sistema S é outro importante vetor na formação profissional em Mato Grosso. Conhecido pela excelência de seus laboratórios, o Senai preparava as novas gerações para o trabalho na indústria; enquanto isso o Senac oferta cursos voltados ao comércio, O Senar atua na aprendizagem Rural e o Senat oferta qualificação para área de transporte que é muito importante em nosso estado.

Áreas como processos industriais, estética e saúde, gestão e tecnologias digitais estão no gosto daqueles que buscam formação profissional de viés técnico ou tecnológico. O importante é aproveitar as oportunidades de inserção em cursos de boa qualidade.

Miguel Rodrigues Netto é Jornalista/UFMT, Licenciado em Letras/Unicesumar, Mestre em Política Social, Estado e Direitos Sociais/UFMT e Doutor em Ciências Sociais/PUC/SP. Professor Adjunto da Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT.