A incorporação da inteligência artificial às práticas educacionais tem ampliado as possibilidades de organização do ensino, oferecendo recursos que podem auxiliar os professores no planejamento de atividades, na elaboração de materiais didáticos e no acompanhamento das necessidades de aprendizagem dos estudantes. Entretanto, sua utilização exige uma compreensão que ultrapasse o domínio das ferramentas, considerando os objetivos pedagógicos e as características dos diferentes contextos escolares.
Cukurova (2024) destaca que o desenvolvimento de competências relacionadas à inteligência artificial deve estar associado à capacidade dos educadores de selecionar, avaliar e utilizar esses recursos de maneira fundamentada. Essa perspectiva permite compreender que a contribuição das tecnologias depende, sobretudo, das escolhas realizadas pelos profissionais e de sua articulação com as finalidades do processo educativo.
Nesse cenário, as possibilidades oferecidas pelos sistemas inteligentes têm despertado interesse pela sua capacidade de apoiar diferentes etapas do trabalho pedagógico. Entre suas aplicações, encontram-se a produção de propostas de atividades, a organização de conteúdo, a elaboração de questões e a adaptação de materiais para diferentes níveis de aprendizagem. Tan, Cheng e Ling (2025), ao examinarem pesquisas sobre inteligência artificial no ensino e no desenvolvimento profissional docente, abordam as aplicações dessas tecnologias e suas relações com as necessidades formativas dos professores. A discussão contribui para reconhecer que tais ferramentas podem ampliar os recursos disponíveis ao educador, embora sua pertinência dependa da avaliação dos conteúdos produzidos e de sua adequação às condições concretas da aprendizagem.
Além dessas possibilidades, a utilização da inteligência artificial pode favorecer a diversificação das estratégias didáticas, especialmente quando associada ao reconhecimento dos diferentes ritmos e necessidades dos estudantes. A elaboração de explicações alternativas, a proposição de exercícios com níveis variados de complexidade e a organização de atividades complementares constituem exemplos de aplicações possíveis. Contudo, a definição dessas estratégias exige conhecimentos sobre os conteúdos ensinados e sobre as formas pelas quais os alunos constroem suas aprendizagens.
Nessa perspectiva, Shulman (1986) destaca a importância do conhecimento pedagógico do conteúdo, que envolve a capacidade de representar e explicar determinados conhecimentos de maneira compreensível. Sua contribuição permite compreender que os recursos produzidos por sistemas automatizados precisam passar pela interpretação e pela mediação do professor, responsável por adequá-los às particularidades da turma.
Vera Regina da Silva - Licenciada em Pedagogia, licenciada em Letras e espanhol e Pós-graduada em Educação Especial, Interdisciplinaridade, Supervisão escolar, Mestranda em Formação de Professores.





