Na última semana, tive a oportunidade de integrar a semana pedagógica do Colégio Avance, uma experiência que me permitiu não apenas trocas de conhecimento, mas também absorver aprendizados significativos.

Nesse encontro tive a oportunidade de olhar para as professoras(es) do Colégio, enxergá-las como pessoas humanas, gente como a gente. Aqui, coloco uma questão que chega muito no meu consultório, muitas vezes nós pais cobramos dos professores até mesmo o nosso papel, queremos que nossos professores eduquem nossos filhos da forma que acreditamos e deixamos toda a responsabilidade de uma educação de valores nas mãos da escola ou melhor nas mãos dos professores.

Delegamos essa função de educar conforme nossas crenças e valores, pois cada vez mais terceirizamos essas obrigações. Queremos que os professores deem conta do conteúdo escolar, mas também deem conta daquilo que nós alguma vez falhamos, não queremos ou até mesmo não nos esforçamos.

Contemplando a figura do professor como um ser BIOPSICOSSOCIAL, abrimos um leque de compreensões mais amplas. Aquele que ensina, que nos inspira, também desempenha múltiplos papéis fora da escola - é mãe, pai, irmão, irmã, filho, filha, avô, avó... E embora se espere que ao cruzar os portões da escola, esses papéis sejam suspensos, a realidade é outra. A essência humana não conhece fronteiras entre o pessoal e o profissional.

A jornada pela melhoria da educação vai além da pedagogia e dos métodos de ensino. Ela passa, invariavelmente, pelo reconhecimento da integralidade do ser humano que ensina. Por reconhecer que cada professor(a) carrega consigo uma história, desafios e sonhos. E que, ao olharmos para eles com essa compreensão, não só enriquecemos o processo educacional, mas também humanizamos nossa percepção da educação.

A minha participação como psicólogo na semana pedagógica do Colégio Avance foi um lembrete poderoso de que a educação é um ato profundamente humano. A saúde mental dos professores, não é apenas uma questão de bem-estar individual, mas um componente vital para a eficácia do processo educacional. Ao cuidar deles, estamos, por extensão, cuidando de nossos filhos. A escola, ao abraçar essa perspectiva, não só melhora o seu ambiente de trabalho, mas também enriquece a experiência educacional para seus alunos.

Euller Sacramento é Psicólogo Clínico.
Instagram: @eullersacramento.