24 anos. Era a idade que eu tinha quando me deparei, como psicólogo, com meu primeiro caso de Violência Sexual Infantil. A vítima: Uma menina de apenas 5 anos de idade, carregava um fardo pesado demais para a sua idade: “Papai traiu mamãe comigo”. A inocência de sua voz contrastando com o peso de suas palavras ressoa em minha cabeça até hoje. O abusador: Seu próprio pai, alguém que deveria proteger, cuidar e amá-la.

Desde então, atendi inúmeros casos de Violência Sexual, variando em idade desde idosos até um bebê de apenas dez meses. Esta violência não é natural, mas infelizmente é comum, já são 12 anos atendendo, crianças, adolescentes e adultos vítimas de violência sexual. Esta dura realidade transformou a maneira como enxergo o mundo, impactou ainda maior após me tornar pai.

A Violência Sexual não conhece limites. Pode se manifestar em qualquer lugar e ser praticada por qualquer pessoa. As estatísticas mostram uma triste verdade: os principais agressores tendem a ser figuras familiares - pais, padrastos, avós, tios, irmãos, primos. O "estranho" muitas vezes é o último na lista.

Em meio a esta realidade, venho alertá-los: o período de férias demanda especial atenção. Onde deixamos nossos filhos, quem cuida deles, com quem eles brincam, tudo isso merece nosso foco. Não devemos permitir que brinquem sem a supervisão de um adulto confiável, portas fechadas e locais isolados podem parecer inofensivos, mas podem proporcionar oportunidades para atos de Violência Sexual. Quando se trata de proteger nossos filhos e filhas, todo cuidado é imprescindível.

O amor, a proteção e a conscientização são nossas melhores ferramentas para garantir um futuro seguro e feliz para nossas crianças e jovens. E é nosso dever como responsáveis assegurar que assim seja. Proteja aqueles que ainda não têm como se proteger. Dessa forma, podemos contribuir para um mundo mais seguro e amigável para as nossas crianças.

Acredite, todo cuidado é pouco. É nosso papel garantir que a infância e adolescência sejam períodos de segurança, alegria e descobertas saudáveis. Portanto, mantenha seus olhos e ouvidos abertos, a luta para proteger nossos filhos dessa triste realidade começa em casa, com conscientização, diálogo e supervisão constante.

Euller Sacramento É Psicólogo e Palestrante - Instagram: @eullersacramento