Voltando à cena inicial, conforme o homem entre as cem borboletas, Rodrigo Schossler, gaúcho, professor de beach tennis em Tangará da Serra, graduado em 2022: “o poder do BT consiste em unir as pessoas”. Diz ele: “tenho muitas alunas que são da mesma faixa etária, meio social, nasceram ou foram criadas na cidade e não conviviam, apenas se cumprimentavam na rua e/ou em eventos. Com o Beach, houve aproximações que se tornaram amizade”. Entre as mulheres atletas do esporte em Tangará da Serra, está minha conterrânea, a catarinense Dani Stork. Ela é tenista, bióloga, professora e pesquisadora. Precursora na região e referência da modalidade beach tennis no estado, a atleta afirma que: “o beach deu a oportunidade para as mulheres se tornarem atletas. Mesmo aquelas que nunca praticaram esporte, podem começar a competir em poucos meses. E não depende da idade. Mulheres mais velhas jogam de igual para igual contra adolescentes. Além disso, é um esporte para a família”. Assim, como é para as demais mulheres borboletas praticantes, sobre seus voos em quadra, Dani, concebe: “o beach é mais divertido, descontraído e tem me conquistado. Hoje, tenho mais vontade de marcar um jogo de beach do que de tennis”.

Por fim, com praia ou sem praia, de norte a sul, mulheres alçam voos, em nuvens de borboletas, anunciando metamorfoses. Quiçá, possamos integrar as babás para, genuinamente, ser uma modalidade de esporte com mulheres plurais. Quem sabe, por meio do Beach, possamos lançar mão da cor lilás, comum nos adereços beachtennistas, e fazer jus ao seu sentido político, como ensinam aquelas que vieram antes de nós. Assim, como estamos em novembro, talvez a campanha mundial dos “ 21 dias da não violência contra as mulheres” faça sentido para as beachtennistas, como um movimento que importa, e pode ser (in)corporado na interação entre mulheres deste grupo também, por meio do reconhecimento e da escuta de práticas veladas de violências, sempre em busca de articulação e resistência em situações diversas de opressão. Prenúncio do efeito borboleta? Quem sabe?

Marinês da Rosa. Graduada em Ciências Sociais, Mestra em Sociologia Política e Doutora em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. Professora adjunta na Universidade Estadual do Mato Grosso. Pesquisadora no campo dos Estudos de Gênero, Sexualidades, Violências e Corporalidades.