O Ministério Público Estadual (MPE) ofereceu nova denúncia contra a tenente do Corpo de Bombeiros, Izadora Ledur, pelo crime de tortura, desta vez contra o aluno Maurício Junior dos Santos.

O documento é assinado pelo promotor de Justiça Paulo Henrique Amaral Motta e foi encaminhado à 11ª Vara Criminal de Cuiabá na última semana.

Ledur havia sido denunciada pelo mesmo crime contra o aluno Rodrigo Claro, que morreu após um treinamento aquático sob sua supervisão, na Lagoa Trevisan, em 2016.

Em setembro de 2021, cinco anos após o fatos, o Conselho Especial de Justiça desclassificou o crime de tortura para maus-tratos e a condenou a um ano de prisão. Maurício dos Santos, inclusive, testemunhou contra a tenente sobre a morte de Rodrigo Claro.

De acordo com o MPE, o crime contra Maurício dos Santos também ocorreu em 2016 durante um treinamento aquático na Lagoa Trevisan, que também tinha como instrutora responsável a tenente Ledur.

Na ocasião, conforme o promotor de Justiça, a vítima começou a sentir câimbras e precisou ser auxiliada por outros alunos. Ocorre que, já no meio do percurso, a oficial teria ordenado que os demais alunos seguissem com a travessia, deixando Maurício para trás.

“A partir daí, como forma de aplicar castigo pessoal, a denunciada passou a torturar física e psicologicamente a vítima, quando, além de proferir palavras ofensivas, utilizando a corda da boia ecológica iniciou uma sessão de afogamentos, submergindo-a por diversas vezes”, diz trecho da denúncia.

“Ato contínuo, após alguns ‘caldos’, o ofendido já sem forças para emergir e respirar, depois de ter engolido muita água e gritado por socorro, veio a segurar os braços da imputada 1º Ten BM Izadora Ledur de Souza Dechamps, implorando para que ela cessasse a atividade”, diz outro trecho do documento.

“A denunciada, por sua vez, além de a repreender gritando: ‘Você está louco? Aluno encostando em oficial’, só interrompeu a sessão de afogamento quando a vítima perdeu a consciência”,
aponta a denúncia.

Pouco tempo depois, conforme o MPE, o aluno acordou desesperado, já nas margens da lagoa, vomitando bastante água.

Ainda segundo o promotor, momentos depois, o aluno desmaiou novamente, e foi encaminhado à Policlínica do Coxipó.