Recentemente, uma tendência inusitada ganhou força nas redes sociais: adultos recorrendo à chupeta, aquele objeto símbolo da infância, como forma de aliviar ansiedade e estresse no dia a dia. O fenômeno viralizou no TikTok, impulsionando a venda de modelos personalizados que prometem acolhimento emocional instantâneo.
Como psicólogo clínico que atua com crianças, adolescentes e adultos há mais de quinze anos, confesso: a moda me chamou atenção — não por ser estranha, mas exatamente por ser profundamente humana. Usar algo tão infantil para trazer paz pode ser visto como uma expressão simbólica do desejo de voltar a tempos mais seguros, quando bastava sugar para acalmar.
Há, entretanto, riscos claros. Do ponto de vista físico, o uso contínuo da chupeta pode causar desalinhamento dentário, alteração na mordida, desgaste na arcada e até infecções orais, como aftas e candidíase. Psicologicamente, trata-se de uma estratégia paliativa — um analgésico imediato que não atua sobre a origem da dor. Essa regressão pode deixar de ser passageira e tornar-se dependência emocional prejudicial.
Entendo esse comportamento como uma forma de autoestimulação, semelhante ao que observamos em outros contextos — como roer unhas ou apertar objetos — que servem para regular emoções intensas. Mas, assim como nesses outros hábitos, o perigo está em quando essa regulação vira rotina e impede o desenvolvimento de estratégias saudáveis.
A infância tinha seus mecanismos próprios de conforto; para um adulto, buscar o mesmo recurso, sem reflexão, pode revelar uma sobrecarga emocional profunda. Somos chamados a devolver sentido à nossa maturidade — usando não artifícios simbólicos, mas ferramentas efetivas: respiração consciente, presença, PSICOTERAPIA, atividades que fortifiquem nossa capacidade de enfrentar a dor sem recorrer a ATALHOS REGRESSIVOS.
Minha experiência clínica reforça: a sanidade reside não na fuga, mas no acolhimento. Não basta acalmar a ansiedade; é preciso cuidar da alma por trás dela. A chupeta, como metáfora, é um pedido por mais humanidade, por mais segurança… e isso é desejável. O que precisamos agora é escutar esse pedido e convencê-lo de que existem caminhos mais GENTIS, mais ADULTOS, que acolhem sem sacrificar o corpo — e a DIGNIDADE — de quem já cresceu.




