O século XXI nos brindou com inovações surpreendentes. Entre elas, o cigarro eletrônico, que rapidamente se popularizou como uma alternativa "menos prejudicial" ao cigarro tradicional. Mas, ao considerarmos nossos adolescentes, precisamos nos perguntar: essa novidade tecnológica é realmente segura?

Afinal, é irresistível. Uma engenhoca moderna, sabores variados e uma fumaça densa que impressiona. Para muitos adolescentes, a vaidade de exibir anéis de vapor se tornou um símbolo de status. No entanto, por trás dessa cortina de fumaça high-tech, esconde-se uma armadilha preocupante.

A grande jogada de marketing do cigarro eletrônico foi vendê-lo como uma solução saudável. "Sem alcatrão, sem toxinas!", exclamam os anúncios. No entanto, o que eles convenientemente omitem é que esses dispositivos ainda contém nicotina, uma substância altamente viciante. E mais: os líquidos aromatizados – de morango, menta, manga – atraem justamente o público mais jovem, que se encanta com a promessa de sabor sem os riscos do cigarro convencional.

Mas aqui está a questão central: a adolescência é uma fase de experimentação, de testar limites e formar hábitos que podem perdurar por toda a vida. Ao introduzir o cigarro eletrônico nessa equação, a semente do vício em nicotina, está sendo plantada.

Além disso, recentes estudos têm levantado preocupações sobre os efeitos a longo prazo do uso desses dispositivos. As substâncias utilizadas para criar os vapores aromatizados podem não ser tão inofensivas quanto parecem. Relatos de problemas respiratórios e doenças pulmonares associadas ao uso do cigarro eletrônico começam a emergir, levantando um alerta vermelho para os entusiastas.

E é aqui que nos deparamos com a nossa responsabilidade coletiva. Enquanto sociedade, pais, educadores e influenciadores, devemos questionar e debater abertamente sobre essa moda. Afinal, será que queremos que a próxima geração cresça acreditando que inalar substâncias artificiais é algo normal e sem consequências?

E para aqueles jovens que já se viram presos na teia do vício, o suporte é essencial. Por isso abri um grupo psicoterapêutico (Sem Sombras de Fumaça) somente para adolescentes que fazem uso do cigarro eletrônico, mais informações só entrar no meu instagram, @eullersacramento, e clicar no link da Bio.

Euller Sacramento é psicólogo Clínico
Insta: @eullersacramento