Ao longo de três décadas, as páginas do Diário da Serra contaram milhares de histórias de Tangará da Serra e região. Mas, além das histórias registradas nas edições do jornal, a própria empresa também construiu uma trajetória marcada por pessoas que fizeram parte de sua história e contribuíram para que o jornal chegasse aos leitores.

Pessoas que passaram um curto período na empresa, outras, longos. Alguns de Tangará da Serra  e outros, vindos de longe, como Cleônia Nunes, que veio do sertão de Pernambuco para Mato Grosso e encontrou no Diário da Serra uma das portas de entrada para sua trajetória profissional no Estado.

Formada em Letras e professora em Pernambuco, Cleônia ingressou no Diário da Serra em 2004, após encontrar em uma edição do próprio jornal um anúncio de vaga para revisora. Sua função era fazer a revisão final das matérias antes que os exemplares fossem impressos e chegassem às mãos dos leitores.

Ela conta que havia chegado a Mato Grosso em setembro de 2003, acompanhando o marido, natural de Tangará da Serra, que trabalhava em uma fazenda localizada em um distrito de Campo Novo do Parecis.

Com vontade de trabalhar, Cleônia foi até Tangará da Serra em março de 2004 e comprou um exemplar do Diário da Serra em uma banca de revistas. Foi justamente nas páginas do jornal que encontrou a oportunidade que mudaria o início de sua história profissional em Mato Grosso.

“Então, encontrei lá uma [vaga] que era para revisora do próprio jornal. Eu disse: ‘eu vou enfrentar, eu vou assim mesmo’. Levei o meu currículo, poucos dias depois me ligaram para fazer entrevista, fiz a entrevista, me contrataram. E ali eu saí imensamente feliz, não sabia nem pisar no chão de tanta alegria”.

Apesar da formação em Letras, a rotina de um jornal era algo completamente novo para Cleônia. Ela trabalhava no período da tarde e acompanhava de perto o processo que terminava com a impressão das edições.

“E aquilo ali me encantava bastante, o som daquelas máquinas da impressão, o dia-a-dia, a correria em busca de notícias, a notícia do dia seguinte. Então, tudo ali era novo, mas me causava bastante fascínio”,

lembra, ao afirmar que entre os conteúdos que mais chamavam sua atenção estavam as chamadas “curtas”. 

“Eram pequenas matérias que diziam muito em poucas palavras, ficavam logo no início do jornal”.

Depois de alguns anos, deixou o Diário da Serra para morar na fazenda, buscando ficar mais próxima da família. A experiência, porém, permaneceu como parte de sua história.

“Aprendi bastante, saí do Diário da Serra para morar na fazenda porque queria ficar mais perto da minha família, mas tudo que eu aprendi lá eu levo para a vida. Então, ali foi a porta de entrada ao meu gosto, à minha satisfação em escrever cada vez mais”.

Hoje, Cleônia segue estudando na área de Estudos Literários e reconhece a contribuição daquela experiência para sua trajetória.
 

ESPECIAL 30 anos

Fascivest e Tá Na Mão: projetos do Diário da Serra que marcaram gerações

Para Cleônia, o Fascivest representava mais do que uma atividade ligada ao jornal

A história do Diário da Serra também é marcada por projetos que ultrapassaram as páginas do jornal e chegaram diretamente à comunidade. Entre eles, estão a revista Tá Na Mão e o Fascivest, projetos acompanhados de perto por Cleônia Nunes. Para ela, algumas dessas iniciativas permanecem entre as lembranças mais marcantes de sua passagem pelo jornal.

“Outra parte do jornal que eu gostava bastante também era a revista que vinha aos domingos junto com o jornal, chamada Tá Na Mão, onde trazia notícias do cotidiano, artes, fotografias e eventos sociais, etc”. 

Entre os projetos que mais despertaram seu envolvimento estava o Fascivest, iniciado em 2004. A iniciativa disponibilizava gratuitamente aos assinantes e alunos dos terceiros anos das escolas públicas fascículos elaborados por professores com experiência no ensino pré-universitário, além de promover “aulões” para reforçar os conteúdos.

O objetivo era contribuir para a preparação dos estudantes para os vestibulares, revisando conteúdos do ensino médio e ampliando as oportunidades de acesso a universidades públicas. O projeto permaneceu ativo até 2011.

“Mas um projeto que eu era fascinada e continuo sendo fascinada, era o Fascivest. Eram fascículos distribuídos às quintas-feiras, onde tinham diversas disciplinas. (...) E no final do ano, nós íamos às escolas falar com os alunos para que eles participassem, se inscrevessem, assistiam a aulões durante uma semana e participavam de uma prova onde os três primeiros colocados ganhavam presentes”.

Para Cleônia, o Fascivest representava mais do que uma atividade ligada ao jornal. Era também uma forma de incentivar os jovens a estudar e buscar conhecimento.

“Era um incentivo a mais para que a pessoa, além de se informar com o jornal, também aprendesse para a vida”. 

Além dos projetos e da rotina jornalística, porém, Cleônia afirma que o principal legado que carrega da passagem pelo Diário da Serra é humano. As relações construídas com colegas e com os proprietários da empresa permaneceram em sua memória.

“Os meus colegas do trabalho, que muito me ensinaram, os meus patrões, Mano Reski e Dona Silvana, foram pessoas que eu guardo até hoje porque eles já estavam ali quando eu cheguei e me ensinaram bastante”,

agradece.

“Então, eu levo comigo no meu coração porque Mano me abriu portas, me deu uma chance, recém-chegada do sertão do Pernambuco, nordestina, sem me conhecer, mas acreditou em mim”.