Na semana passada, escrevi sobre a importância de falar sobre o suicídio de forma responsável durante o Setembro Amarelo. No entanto, uma questão ainda mais urgente surge quando estamos diante de uma pessoa em crise suicida grave e não sabemos como agir.

Quando uma pessoa está em uma crise suicida severa, ela pode estar enfrentando uma dor emocional tão intensa que já não consegue enxergar outras saídas, logo o primeiro passo é oferecer apoio emocional sincero. Ouça sem interromper, sem julgar e sem minimizar a dor da pessoa com frases como “isso vai passar” ou “isso é bobagem”.

Outra atitude importante é não deixar a pessoa sozinha. Fique por perto, seja pessoalmente ou por meio de uma ligação, mostrando que ela pode contar com você. Caso necessário, afaste objetos perigosos, como armas, facas ou medicamentos, que possam ser usados para se machucar. Não tenha medo de perguntar diretamente se a pessoa está pensando em tirar a própria vida. Esse questionamento não “dá ideias”, ao contrário, ajuda a abrir espaço para que a pessoa fale sobre seus sentimentos.

Em casos de crise severa, saber a quem recorrer é crucial. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser acionado pelo número 192, se a crise for extremamente grave, e você perceber que a pessoa pode tentar algo imediato, não hesite em ligar para o SAMU. Eles podem enviar uma equipe médica de emergência para atender a pessoa em crise.

Outra opção é o Centro de Valorização da Vida (CVV) - 188, oferece apoio emocional para pessoas em situação de risco suicida. O atendimento é 24 horas por dia, todos os dias da semana, via telefone, chat ou e-mail. Você pode sugerir que a pessoa entre em contato, ou, se ela estiver muito fragilizada, pode ligar você mesmo e buscar orientação de como agir.

UPAs, Hospitais e Unidades de Saúde Mental (CAPS); Em muitos casos, a pessoa pode precisar de uma avaliação médica ou psicológica imediata.

O Setembro Amarelo reforça a importância de falarmos sobre o suicídio com sensibilidade e conhecimento. Ao discutir o tema, é sempre recomendável incluir contatos de ajuda, como o Samu (192) e o CVV(188), para que as pessoas em crise saibam onde buscar auxílio. Falar de forma responsável sobre o tema pode fazer toda a diferença. Cada palavra, gesto e ação conta quando se trata de salvar vidas.

Euller Sacramento é Psicólogo Clínico
Insta: @eullersacramento