Uma jaguatirica fêmea e um tamanduá-bandeira macho morreram atropelados na MT-358, em Tangará da Serra, entre a noite de domingo, 18, e a manhã de segunda-feira, 19. Os animais foram encontrados por estudantes da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), que acionaram professores para recolhê-los.
O acadêmico de Biologia Welington Gregorio de Souza encontrou a jaguatirica após às 7h, no Anel Viário, próximo ao Córrego Estaca. Já Mateus Henrique Fernandes Ambrósio, de Agronomia, avistou o tamanduá próximo à Fazenda Paraíso, sentido Cuiabá. Mateus relatou ter visto um funcionário da Via Brasil preparando uma cova para enterrar o animal, a cerca de dois quilômetros da universidade. O episódio reforça a necessidade de protocolos para destinação científica da fauna atropelada.
Acionado via telefone pelos estudantes, o professor do curso de Biologia, Dr. Leonardo Souza Lobo, com apoio de outros docentes, recolheu os animais, que serão preparados por taxidermia e montagem dos esqueletos para ensino, pesquisa e educação ambiental. Leonardo alerta que os atropelamentos ameaçam a biodiversidade e a segurança viária. O registro das ocorrências permite identificar pontos críticos e fundamentar medidas como passagens de fauna e cercamentos.
Em 2025, Unemat, Polícia Militar Ambiental, Sema-MT e Via Brasil realizaram reuniões, mas nenhum acordo foi formalizado. Sem parcerias e investimentos, a Unemat não dispõe de infraestrutura adequada para receber regularmente esses animais. São necessários principalmente freezers para congelar e conservar os exemplares até sua preparação, permitindo o máximo aproveitamento científico.
A universidade propõe que as secretarias municipais de Meio Ambiente (SEMMEA) e Educação (SEMEC) também participem, com os demais envolvidos, em um projeto de prevenção e destinação científica, com perspectiva de criar um museu de história natural para visitação pública, e para inclusive atender a comunidade escolar.
A Unemat permanece disponível para coordenar a iniciativa. Evitar atropelamentos deve ser prioridade; transformar animais mortos em conhecimento é uma forma de contribuir para que outras vidas sejam preservadas. Preservar os animais já atropelados para a ciência também exige compromisso institucional.








