O avanço das facções criminosas no Brasil alterou profundamente a dinâmica da criminalidade nas últimas décadas. Grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho se espalharam por todo o território nacional, profissionalizando as atividades criminosas e ampliando sua influência. No Estado de Mato Grosso, a resposta das forças de segurança tem sido firme e coordenada, com destaque para a atuação da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE), unidade de elite da Polícia Civil.

Com sede em Cuiabá e sob o comando do delegado Frederico Murta, a CORE atua em operações de alta complexidade, enfrentando criminosos de alto risco, resgatando reféns e dando suporte às investigações em todo o estado. Em entrevista exclusiva ao Diário da Serra, durante visita a Tangará da Serra nesta quinta-feira, 25 de setembro, Murta destacou o trabalho integrado das forças de segurança no enfrentamento às facções.

“Quando a Polícia Civil conclui a investigação, quando vão ser cumpridos as medidas cautelares, seja de busca e apreensão ou de prisão, sempre que há um risco a mais ou uma necessidade de um operador ou mesmo de uma ferramenta especial, a nossa unidade é acionada e empregada nesse tipo de ocorrência”,

explicou o delegado.

Recentemente, uma dessas operações ocorreu na região de Cáceres, próximo à fronteira. Dois criminosos ligados a facções foram mortos em confronto com a CORE. Na ação, foram apreendidas duas armas de fogo, incluindo um fuzil de alto poder destrutivo.

“A retirada de uma arma dessa de circulação certamente impediu a realização de vários outros homicídios, não só na cidade, mas em toda a região”,

enfatizou.

Além do trabalho operacional, Murta destacou o papel da inteligência policial e das políticas públicas estaduais, como o Programa Tolerância Zero, que integra ações preventivas da Polícia Militar e investigações da Polícia Civil.

Entraves - Apesar dos avanços, Murta apontou entraves significativos, especialmente na legislação penal brasileira.

“Acredito que hoje um grande adversário das Forças de Segurança é a legislação penal. Nós temos ali vários aspectos da legislação penal no Brasil que acabam facilitando a atuação desses grupos, muitas vezes alguns entendimentos que acabam protegendo um criminoso ao invés de proteger o cidadão”,

alertou, ao destacar que a segurança pública reflete falhas de diversas áreas do Estado, e não pode ser vista como um problema exclusivo da polícia.

“As últimas pesquisas já demonstraram que a maior dor do brasileiro hoje é a segurança pública. A maior preocupação que o brasileiro tem é com a sua segurança e com a segurança da sua família. Então acredito que isso, por um lado é bom, que chama atenção, joga luz num problema e vai fazer com que os governantes, as pessoas que estão envolvidas diretamente do Poder Legislativo e do Poder Executivo, possam dar atenção a isso e buscar saídas efetivas”,

concluiu.