Foi instalada nesta semana na Assembleia Legislativa de Mato Grosso a Câmara Setorial Temática das Causas Indígenas, com a finalidade de identificar e avaliar as condições e estágio do desenvolvimento dos povos indígenas em Mato Grosso, bem como de propor mecanismos para fomentá-lo considerando os seguintes aspectos: proteção ambiental e territorial, educação e pobreza, produção econômica e atividades comerciais, capacitação técnica e mudança social.
Para o cacique Ronaldo Zokezomaiake Paresi, da etnia Paresi, a CST funcionará como local para debater as demandas dos diferentes povos indígenas.
“Cada um dos povos tem suas culturas e especificidades e seus desejos, por isso precisamos de espaços de discussão como este nos municípios, no estado e na esfera federal. Muitas vezes os indígenas são vistos como entraves para o desenvolvimento econômico, mas eles nunca foram entraves. Eles precisam de oportunidades para mostrar suas capacidades”, salientou.
Luciano Ariabo Quezo, da etnia Balatiponé, do município de Barra do Bugres, afirmou que a economia dos povos indígenas e a superação de barreiras estruturais são alguns dos temas mais importantes a serem discutidos.
Dodowai, indígena da etnia Enauenê-nauê, ressaltou a necessidade de garantir suporte necessário para que os índios possam produzir em suas terras.
“Precisam deixar o índio trabalhar. Querem que o índio viva de caça e pesca, mas isso não tem mais. Precisamos de licenciamento ambiental, de linhas de crédito para fazer renda”, declarou.
Dados do Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam a existência de 79 terras e 45 etnias indígenas em Mato Grosso, que estão presentes em 40% dos 141 municípios do estado.
O prazo para conclusão dos trabalhos da CST é de 180 dias, podendo ser prorrogado por igual período.




