A pandemia da Covid-19 deixou marcas indeléveis no mundo todo e na sociedade brasileira. Sabemos que as mais de 600 mil vítimas fatais da doença impactaram todo o país e revelou o despreparo estrutural dos serviços públicos pela histórica falta de investimentos na saúde pública. Ainda que mais de 70% da população já esteja com esquema vacinal completo e os números estejam mais controlados agora nós não podemos ousar dizer que vivemos um período pós-pandêmico.

As refrações causadas pela pandemia estão por toda parte. Sabemos que o normal nunca mais será o mesmo. O comércio mudou e avançou sobre as plataformas digitais; a telemedicina veio para ficar; os jogos, os canais de entretenimento, as lives de cultura, enfim... se nada mais será como antes o que podemos dizer da educação?

Após dois longos anos mediados pelas plataformas e sistemas de ensino remoto, professores e estudantes voltaram a se encontrar no lugar onde costumavam ter encontro marcado todos os dias. Mas a escola e a universidade ainda são as mesmas? Qual perspectiva educacional podemos ter após dois anos de ensino remoto?

Muitas são as perguntas e poucas as respostas. Estudiosos, especialistas do tema têm se debruçado em compreender e explicar o impacto da pandemia na aprendizagem e já se sabe que sobretudo na rede pública o atraso demorará para ser superado. Também sabemos que a desigualdade no acesso aos conteúdos digitais também provocou distorções e também a ausência de qualificação para lidar com as Tecnologias da Informação e Comunicação - TICs que nortearam todo esse processo de imersão remota.

Outro conceito que vem sendo trabalhado a partir do contexto pandêmico é a exclusão digital, que deriva em última instância da própria exclusão social, pois internet banda larga, equipamentos adequados e aplicativos computacionais não são a realidade cotidiana de milhões de estudantes e mesmo de professores país afora, sobretudo quando fazemos o recorte na educação básica pública.

O retorno a presencialidade tem sido gradual e de percalços até o momento. Nos cursos superiores a tendência é de aumento da evasão e/ou insucesso escolar pelo deficit de aprendizagem pós ensino remoto. Educadores e estudantes ainda estão ajustando a sintonia porque o contexto mudou drasticamente.

O percurso parece bem longo e intrincado. E nesta esteira o país se prepara para realizar em novembro próximo mais uma Conferência Nacional de Educação - CONAE. Caberá ao conjunto de gestores, profissionais, estudantes e comunidade escolar traçar os rumos para retomada do processo educacional deixando para trás os efeitos da pandemia.

Miguel Rodrigues Netto é Jornalista/UFMT, Licenciado em Letras/Unicesumar, Mestre em Política Social/UFMT e Doutor em Ciências Sociais/PUC/SP. Professor Adjunto da Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT.