Os pais de adolescentes costumam dizer que manter uma comunicação eficaz com os filhos nessa fase é um dos maiores desafios. E há razões para isso. A adolescência é marcada por descobertas, questionamentos e uma busca incessante por independência e identidade. Neste cenário, faço uma pergunta crucial: Você está realmente dialogando com seu adolescente?

Primeiro, é fundamental entender o que significa diálogo. Infelizmente, muitos confundem o ato de dialogar com o de DAR CONSELHO NÃO SOLICITADOS, SERMÕES EXTENSOS ou mesmo CHANTAGENS EMOCIONAIS. Estes, por mais bem-intencionados que sejam, acabam afastando ainda mais o jovem, que se sente incompreendido e, por vezes, diminuído.

Diálogo genuíno vai além da mera troca de palavras. Trata-se de uma conversa, onde as duas partes estão ativamente envolvidas e comprometidas em compreender e ser compreendido. É uma construção conjunta, onde escutar é tão valioso quanto falar. E, aqui, a palavra “escutar” tem um peso especial: significa dar espaço para o outro se expressar, sem julgamentos precipitados, mesmo que não concorde com tudo o que é dito.

E é aí que mora a verdadeira arte do diálogo com o adolescente. É possível escutar sem necessariamente aceitar. A mensagem que deve transmitir é: "Sua voz é importante. Eu valorizo o que você tem a dizer". Não se trata de concordar sempre, mas de validar o direito do adolescente de ter suas próprias opiniões e sentimentos. E é crucial que ele também entenda que, embora suas perspectivas sejam valiosas, nem sempre estarão alinhadas com as dos pais e está tudo bem.

Se você, como muitos pais, sente-se em um impasse sobre como se aproximar e estabelecer esse diálogo frutífero, lembre-se de uma ferramenta poderosa: A pergunta. Pergunte ao seu filho como ele se sente, o que pensa sobre determinado assunto, como foi seu dia. Deixe que ele compartilhe, e esteja genuinamente interessado no que ele tem a dizer.

Por fim, é importante lembrar que o diálogo é uma via de mão dupla. Não se trata apenas de entender o adolescente, mas também de se fazer entender. Isso exige paciência, empatia e, acima de tudo, vulnerabilidade. Ao compartilhar suas próprias experiências, dúvidas e sentimentos, você mostra ao seu filho que também é humano, aproximando-se dele. Experimente.

Euller Sacramento é Psicólogo Clínico
Insta: @eullersacramento