Quando as contas apertam, a cabeça pesa. Parece até que o cérebro se embaralha junto com os boletos. Não é só a carteira que sente o impacto das dívidas, é a mente, a vida. O levantamento da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box mostra uma realidade que muitos evitam discutir: a íntima ligação entre a saúde mental e as dificuldades financeiras. Na região Sudeste do Brasil, onde mais de 32 milhões de pessoas estão inadimplentes, os números são um retrato da angústia: seis em cada dez sudestinos já enfrentaram problemas de saúde mental, e oito entre dez convivem com a pressão do dinheiro que não chega para cobrir os gastos.

A prioridade dada à assistência psicológica no orçamento familiar reflete uma mudança cultural. Já não é mais uma questão periférica; cuidar da mente, como revela a pesquisa, está na sexta posição entre os gastos das famílias. E se isso surpreende, deveria. Assistência psicológica à frente de carros e assinaturas? Sim, porque o emocional clama por socorro quando as dívidas começam a se acumular. No final das contas, o preço do estresse, da insônia, da ansiedade e do desgaste nas relações interpessoais é alto demais para ser ignorado.

Valéria Meirelles, Psicóloga do Dinheiro, traz à tona um ponto crucial: a vergonha. Ela se infiltra no silêncio das famílias, entre amigos, até nas conversas cotidianas, criando uma falsa sensação de fracasso. Afinal, vivemos em uma sociedade que coloca o sucesso financeiro no pedestal, como se qualquer desvio no orçamento fosse uma falha moral. Entre os entrevistados da pesquisa, 77% não pedem ajuda, acham que podem resolver sozinhos. Mas Valéria deixa claro: dificuldades financeiras não definem quem você é como pessoa, pai, mãe, filho ou amigo. A naturalidade em falar sobre dinheiro poderia ser o primeiro passo para a resolução do problema, mas isso ainda é raro.

O estudo também levanta outra questão fundamental: como as finanças impactam o trabalho. Mais de três quartos dos entrevistados confessaram que, no ambiente profissional, não conseguem parar de pensar nas dívidas. Essa preocupação constante compromete o desempenho e afeta o bem-estar geral. Investir na saúde mental, segundo a maioria, pode ser um caminho para a melhoria das finanças a longo prazo. E o recado que fica é claro: cuidar da mente é, também, cuidar do bolso.

Com uma população endividada e sobrecarregada emocionalmente, o cenário é desafiador. No entanto, a pesquisa traz um alento ao revelar que 85% dos sudestinos entendem a importância de investir na saúde mental. Parece que, aos poucos, estamos aprendendo que cuidar das emoções não é luxo, mas necessidade. E, como aponta Valéria Meirelles, essa é uma base sólida para construir uma vida melhor, tanto no presente quanto no futuro.

Chegamos a um ponto em que a saúde mental começa a ocupar o lugar de prioridade que sempre deveria ter tido. Afinal, como enfrentar as pressões financeiras e o estresse da vida moderna sem cuidar da mente? O Brasil está começando a entender que o peso dos boletos só diminui quando a cabeça está leve.

Gregório José
Jornalista/Radialista/Filósofo
Pós Graduado em Gestão Escolar
Pós Graduado em Ciências Políticas
Pós Graduado em Mediação e Conciliação
MBA em Gestão Pública