O Diário da Serra apresenta mais uma história da série especial em comemoração aos seus 30 anos. Fundado em 11 de novembro de 1996, o jornal contou, desde o primeiro dia, com a participação direta de três integrantes da família Tormes: Mano e Silvana Tormes, proprietários do periódico, e Diego Tormes, filho mais velho do casal, que assumiu a distribuição dos primeiros exemplares.

O que começou com a entrega dos jornais pela cidade logo se transformou em uma experiência que marcaria a trajetória profissional de Diego. Ainda adolescente, ele passou a ajudar também nas atividades administrativas e, posteriormente, aprendeu a diagramar as páginas do periódico, acompanhando de perto as transformações tecnológicas dos primeiros anos do jornal.

“Trabalhei no Diário da Serra desde o primeiro dia, me autointitulei o primeiro entregador de jornal”,

relembra.

“Saí da escola, fui à tarde junto com meu pai e com a minha mãe, tinha uns jornais impressos lá, peguei e fui distribuir por um lado da cidade. Me lembro que andei a tarde inteira distribuindo jornais. Logo depois eu comecei a me interessar mais ainda e passei a ajudar a minha mãe no administrativo, fazia as cobranças dos classificados, dos anúncios”.

O contato de Diego com a área gráfica, no entanto, começou antes mesmo da criação do jornal. Seu pai já trabalhava na rádio e na televisão e mantinha uma serigrafia no quintal de casa, ambiente que despertou o interesse do filho pelo trabalho com impressão e produção gráfica.

“Me lembro que ele comprou um computador, então já comecei a fazer uma coisinha ou outra, imprimia no vegetal para poder revelar as telas e é parecido o processo com jornal. Enfim, quando eu vi, eu estava trabalhando no jornal”,

conta.

Já no jornal, diante da dificuldade de encontrar profissionais que dominassem os programas de computador utilizados na produção gráfica, Diego enxergou a oportunidade de aprender uma nova função dentro do próprio jornal.

“Um dia eu falei: ‘pai, por que ao invés de a gente ficar procurando, não me ensina?’ E eu aprendi, comecei a trabalhar e passei a ser o diagramador do jornal. Então, passei um pedaço da minha adolescência saindo da aula, almoçando e indo trabalhar”.

Segundo Diego, naquela época a diagramação das páginas exigia paciência. Os computadores tinham limitações, as impressoras eram lentas e o processo levava bastante tempo. Por isso, a rotina frequentemente avançava pela noite.

“Trabalhar no jornal foi uma experiência diferente também, porque várias vezes a gente estava trabalhando enquanto todo mundo estava descansando. Então, era nos feriados que a gente trabalhava para o jornal sair no outro dia. Era aos domingos, sábados, às vezes, sábados e domingos, que a gente trabalhava para o jornal sair na segunda-feira. Então, era estranho, mas, desafiador e me ensinou muita coisa como compromisso”.

Além da rotina, Diego recorda das mudanças no formato do jornal, que começou com uma folha impressa frente e verso, depois foi ampliando o número de páginas e introduzindo páginas coloridas.

“Eu me lembro que quando o meu pai teve a ideia de fazer a capa colorida, a gente deixava já uma parte dela impressa em quatro cores”,

relata.

“Eu me lembro que foram evoluções marcantes no jornal. O número de páginas, o tamanho, a impressão colorida até que ele ficou a capa toda colorida, as matérias. Então, isso tudo mudava muito a questão de trabalhar, de imprimir. Foi um aprendizado muito grande”.

Experiência no Diário da Serra abriu caminhos para a carreira profissionalAtualmente ele presta serviços à Famato
A participação de Diego Tormes nos primeiros anos do Diário da Serra foi decisiva para sua formação profissional. Integrante da história do periódico desde sua primeira edição, ele encontrou no ambiente da redação e da gráfica as primeiras oportunidades para desenvolver habilidades que, mais tarde, contribuiriam para sua atuação na área de formação em Publicidade e Propaganda. Depois de deixar Tangará da Serra para cursar a faculdade em Cuiabá, ele continuou trabalhando na área gráfica e aproveitou a experiência adquirida no jornal para avançar na carreira.
“Eu vim para Cuiabá para fazer faculdade, trabalhei numa gráfica. Eu já trouxe muito da bagagem que eu tinha no jornal. Depois, passei por uma agência de propaganda, adquiri umas novas habilidades. Então, o jornal foi importantíssimo para o meu começo de carreira como diretor de arte, designer”.
Esse aprendizado prático se tornou uma base importante para os desafios que encontraria posteriormente no mercado de trabalho. Ao longo da carreira, Diego trabalhou na Central Sicredi, em Cuiabá, e atualmente presta serviços à Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato).
“E ter passado pelo jornal, ter conhecido toda essa parte de chão de fábrica, de gráfica, de montagem, de arte mesmo, me ajudou a conquistar o espaço nessa área de designer gráfico. Trabalhei no Sicredi, na Central Sicredi aqui em Cuiabá, uma grande empresa. Hoje estou prestando um serviço para a Famato, uma outra grande empresa. Então, é uma habilidade que eu aprendi e vou levar para o resto da minha vida”.
Atualmente, Diego mora em Cuiabá com a família, esposa Joanice Soletti Tormes e filhos Miguel e João, e continua acompanhando a trajetória do Diário da Serra e reconhece a importância de Tangará da Serra e também do trabalho desenvolvido por seus pais e pela equipe que mantém o jornal em circulação.
“Dizer para vocês que foi muito legal ter participado desse começo, apesar de hoje não estar trabalhando no jornal, acompanho de longe. Mas parabéns para o meu pai, para a minha mãe, para a Fabíola e para a Bárbara que ainda estão à frente do jornal, fazendo com que o jornal continue sendo importante e hoje, fazendo uma dobradinha com a rádio e com a internet. Então, isso é tudo muito legal. Parabéns para todos vocês. Parabéns para Tangará por ter acolhido o Diário da Serra, ter acreditado no jornal”.