Dando sequência à série especial do Diário da Serra, que resgata histórias de pessoas que fizeram parte dos 30 anos do jornal, esta edição apresenta a trajetória de Sergio Roberto Reichert, o Serginho, como é carinhosamente conhecido.
Jornalista autônomo e atualmente proprietário do Portal Enfoque Business, ele iniciou sua trajetória no Diário da Serra em 1998. Entre entradas e saídas, permaneceu por 14 anos ligado ao DS, período que considera fundamental para sua formação profissional e para sua relação com o jornalismo.
“Eu atuei no Diário da Serra entre 1998 e 2012. Foram 14 anos como jornalista, entre entradas e saídas, 14 anos, um período, um lapso temporal de 14 anos como jornalista desse veículo, que é um dos principais jornais do interior do estado do Mato Grosso, também repercute muito na região”.
Antes de se dedicar ao jornalismo, Serginho construiu uma trajetória ligada à contabilidade, informática e ao setor bancário. Natural do Rio Grande do Sul, ele morou em Cuiabá e, por sua profissão a época, conheceu diferentes municípios de Mato Grosso.
“Eu morava em Cuiabá, onde eu trabalhava como técnico de suporte, ajudava a desenvolver os sistemas, implantava e dava treinamento para os clientes. Percorri o estado inteiro, aliás, eu conheço mais o Mato Grosso do que o meu estado natal, que é o Rio Grande do Sul, em função dessa empresa”.
A mudança definitiva para Tangará da Serra ocorreu em 1994, quando passou a representar a empresa na cidade. Mas a relação com a imprensa já vinha de antes. Ainda no Rio Grande do Sul, ele teve contato com o jornalismo e desenvolveu o hábito da leitura de jornais e de acompanhar emissoras de rádio.
“O convite para trabalhar no Diário da Serra veio do Mano Reski, durante uma conversa informal. Eu já havia trabalhado em alguns dos principais jornais aqui de Mato Grosso, como a Folha do Estado, o Diário de Cuiabá, a Gazeta”,
relembra.
Na redação do Diário da Serra, passou a atuar em diferentes áreas da cobertura jornalística, acompanhando o cotidiano de Tangará da Serra e da região.
“Era preciso pensar rápido e dar continuidade àquela cadeia de informações que incluía matérias anteriores e as novas. (...) Eu coletava os dados de manhã e já começava a redigir as matérias antes do almoço”,
conta, ao lembrar, com carinho, das transformações tecnológicas que o jornal viveu. Serginho lembra dos primeiros equipamentos digitais utilizados para a produção das fotografias e da chegada das câmeras Sony com disquete.
“No começo, as fotografias eram feitas com uma maquininha digital. (...) era uma baita novidade para a época, tecnológica. Depois vieram as câmeras Sony, aquelas Sony com disquete”.
Foram anos de mudanças na tecnologia, na forma de produzir informação e também na própria cidade, sempre acompanhadas pelo jornal.
Fatos históricos, amizades e a coluna “Reino da Serra”
Atualmente, Serginho segue atuando como jornalista independente
A atuação de Sérgio Roberto Reichert no Diário da Serra aconteceu durante um período marcado por acontecimentos que tiveram grande repercussão em Tangará da Serra. Ao longo dos anos em que esteve na redação, o jornalista acompanhou eleições, crises políticas de grande repercussão, ocorrências policiais e diferentes transformações vividas pelo município.
“Vivenciamos muitos fatos históricos aqui no município, foram eleições, crises políticas, casos de polícia, enfim, eu vivi o dia a dia da notícia, como diz o próprio slogan do Diário da Serra”.
Entre os acontecimentos que mais marcaram sua memória está o assassinato do vereador Daniel do Indea, em junho de 2001, além do chamado escândalo da água.
“Aquilo foi um baque para a cidade. Eu particularmente tinha uma amizade com o Daniel, gostava muito dele, para mim foi uma tristeza, até hoje, me entristece em lembrar”,
lamenta.
“Foi uma perda irreparável aqui para Tangará da Serra. E depois vieram as crises políticas, o entra e sai de prefeitos”.
Outro episódio acompanhado de perto pelo jornalista foi o chamado Escândalo da Saúde, desde a contratação da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), até os desdobramentos políticos e judiciais.
“Foi um episódio que trouxe prejuízos financeiros, consequências importantes para a administração pública e consequências duras para o próprio sistema de saúde”,
recorda.
“E passando pelos desdobramentos do caso, inclusive os processos que resultaram na cassação de agentes públicos, o Diário da Serra teve uma participação fundamental nisso com as matérias que nós produzimos”.
Deste período ele lembra também com carinho da coluna “Reino da Serra”, conhecida na cidade como a “novelinha”, que misturava crônica política e social, com humor.
“Era uma espécie de crônica política e social, sabe, do dia a dia, do cotidiano da cidade, não retratava nenhum personagem, mas a gente usava isso para dar um toque de humor no nosso jornalismo. Então a repercussão era tão grande dessa novelinha, que vinha gente de toda a cidade até a sede do jornal para buscar exemplares e saber quais seriam os próximos episódios. Era muito divertido, era bacana isso”,
destaca.
“A passagem pelo Diário da Serra foi determinante para o meu crescimento profissional. Eu aprendi muito, eu vivi muitas histórias, conheci muitas pessoas e isso não tem preço”.
A história profissional também se mistura com a história pessoal construída em Tangará da Serra. Foi na cidade que Serginho constituiu sua família e estabeleceu suas raízes.
“Eu casei aqui, esta é a terra da minha família, que eu construí com a minha esposa Jô. Os nossos filhos nasceram aqui, em Tangará da Serra e, enfim, é daqui que eu tiro meu sustento, eu vivo aqui”,
agradece.
Atualmente, Serginho segue atuando como jornalista independente, com trabalhos voltados principalmente ao segmento empresarial, ao agronegócio e ao setor público.









