No último domingo, 18 de setembro posso dizer que vi a história passar diante dos meus olhos. Estava em casa às 11 horas quando me deparei com o primeiro jogo da final do campeonato brasileiro de futebol feminino entre Internacional x Corinthians. A partida realizada no estádio Beira Rio em Porto Alegre marcou o maior público registrado entre clubes de futebol feminino. Foram 36.330 pessoas que fizeram parte deste momento histórico.

Felizmente no segundo jogo da final que ocorrerá em São Paulo a venda antecipada de ingressos já aponta mais de 39 mil torcedores e portanto o recorde do Beira Rio será ultrapassado neste sábado. E como o primeiro confronto terminou empatado em 1x1 é promessa de uma grande partida.

Mas esse jogo de futebol é só um pano de fundo para a discussão que quero trazer-lhes aqui. Modalidades coletivas como o futebol, principalmente o feminino, além de basquete, voleibol, handebol e modalidades individuais como atletismo, natação e lutas necessitam de investimento de base para revelar atletas e a base começa em equipamentos esportivos instalados em unidades escolares.

Quem não se lembra das aulas de educação física escolar. Para muitos era o momento mais esperado da semana. Muitas escolas atualmente até possuem uma estrutura razoável com quadra coberta, materiais para prática de diversas modalidades desportivas e professores de educação física bem formados. O que falta então?

Programas governamentais como o bom de bola, bom de escola são exemplos de políticas públicas que aliam educação e desporto, mas a maioria dos projetos que se vê são iniciativas de atletas e ex-atletas por meio de institutos e ONGs o que deixa a pauta muito vinculada a uma vocação voluntária, o que é louvável, mas insuficiente.

Os programas que aliam educação e desporto formam antes de mais nada cidadãos conscientes e solidários, preparados para os desafios do mundo contemporâneo. Também ajudam a tirar as crianças e jovens da rota do crime e se tudo der certo ainda projeta talentos que nos darão alegria em campeonatos e nos jogos olímpicos.

Toda a experiência que o Brasil possui com seus atletas, treinadores e professores precisa estar a serviço dessa moçada que só precisa de uma oportunidade para brilhar. Histórias como da skatista vice campeã olímpica em Tóquio-2020 Rayssa Leal, que saiu de Imperatriz-MA para o mundo precisam sair da exceção e virar regra no país.

A partida de futebol feminino entre Corinthians e Internacional que será disputada em São Paulo definirá a equipe campeã brasileira de 2022. E embora no esporte apenas uma equipe saia vencedora, neste caso no apito final teremos a vitória de todas as mulheres que acreditaram numa modalidade que durante muitos anos foi proibida para elas no Brasil. Que essas mulheres de coragem inspirem outras meninas nas escolas pelo país e que o poder público dê também sua parcela de contribuição.

Miguel Rodrigues Netto é Jornalista/UFMT, Licenciado em Letras/Unicesumar, Mestre em Política Social/UFMT e Doutor em Ciências Sociais/PUC/SP. Professor Adjunto da Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT.