A educação no contexto intra pandêmico e pós pandêmico se acostumou a linguagem das plataformas digitais. Fosse este artigo escrito antes de 2020 todos achariam se tratar das ferramentas de ensino-aprendizagem utilizadas na educação a distância - EaD, mas essa realidade mudou drasticamente pela pandemia de Covid-19.

Com a obrigatoriedade de fechamento das salas de aula as instituições de ensino tanto na educação básica quanto superior implementaram o ensino remoto, mediado pelas plataformas digitais e pelos recursos educacionais síncronos e assíncronos. Não foi uma transposição do EaD tradicional para o contexto emergencial da pandemia. Os cursos de capacitação promovidos aos professores enfatizavam que havia elementos constitutivos da modalidade presencial no ensino remoto.

Muita gente pensou se tratar de uma forma de ensinar que estaria atrelada a duração da pandemia e fadada ao desaparecimento a medida que a volta ao presencial ocorresse mas essa não parece ser a tendência. Estamos vivendo a tendência do ensino híbrido com alternância de momentos presenciais e remotos. A própria regulamentação do Ministério de Educação - MEC que autoriza as instituições a ofertarem até 40% de seus componentes curriculares de forma não-presencial reforça a escolha por essa metodologia.

Vemos que a oferta de formação inicial e continuada para as tecnologias educacionais tem aumentado e esse é um caminho sem volta. Os eventos acadêmicos estão mundo afora utilizando sistemas híbridos presencial/remoto o que favorece a internacionalização e os acordos bilaterais de cooperação científica e tecnológica. Hoje é comum ver bancas de mestrado e doutorado com a participação de avaliadores dispostos em diferentes estados da federação e até em outros países.

Desde o início da pandemia a Unemat tem realizado semestralmente sua semana pedagógica de forma remota e a experiência obtida no alto volume de interação possibilitado por todos os câmpus em participação simultânea leva a pensar que esta será a forma de se fazer o evento de agora em diante. Com um estado imenso e com rodovias perigosas como a BR-163 e BR-364 é plausível que se evite o deslocamento de pessoas até a sede em Cáceres para participar de eventos presenciais.

Cada vez mais os profissionais da educação, e aqui estou dizendo todo o conjunto e não só os docentes, se apropria do uso das plataformas digitais como ferramental intrínseco ao processo educacional. Uma leva de profissionais está chegando ao mundo do trabalho com essas habilidades. Essa é a geração que sobreviveu a pandemia, que estudou boa parte do percurso acadêmico mediada por computador. Essas pessoas embora continuem sabendo que a boa conversa e o ensino presencial são insubstituíveis conseguem sair desta dicotomia e estão preparadas para operar neste mundo híbrido.

Miguel Rodrigues Netto é Jornalista/UFMT, Licenciado em Letras/Unicesumar, Mestre em Política Social/UFMT e Doutor em Ciências Sociais/PUC/SP. Professor Adjunto da Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT.