Feriado de sete de setembro. Pela primeira vez, minha filha foi desfilar na Avenida Brasil. Ela estava lá, linda, no meio das crianças, representando o grupo de balé do Colégio Avance.
Pensa numa ansiedade. Era um misto de alegria com nervosismo que eu não conseguia esconder. Cheguei cedo, acompanhando o trajeto ao lado dela, me espremendo, filmando. Mas, ao mesmo tempo em que filmava, eu parava. Tinha algo naquele momento que não cabia na tela do celular. Aquele passo ensaiado, a postura, o jeito único dela de estar no mundo. Fiquei com o celular abaixado pensando: como cresce rápido. Confesso que meu olho encheu d’água.
Olhei ao redor e vi o que sempre me emociona: pais e mães suando sob o sol. Alguns com o celular registrando tudo. Outros só com o olhar, orgulhosos. E as crianças? Davam o seu melhor porque sabiam que alguém estava olhando. Filhos e Filhas que são vistos, se esforçam diferentes.
Em algum momento, ouvi uma mãe próxima a mim reclamar. Estava de pé há horas, exausta, e descobriu que ia demorar para a filha passar. Virou para o marido e disparou:
— Caramba, meu pé ‘tá’ me matando... Mas eu não arredo o pé daqui até a minha menina passar.
Quando ouvi isso, passou um filme na minha cabeça. Essa cena me fez refletir. A presença não precisa ser perfeita. Ela vem com cansaço, reclamação e sol na cabeça. O que importa é estar lá. Seu filho não lembrará da exaustão, lembrará apenas que você estava lá.
A PRESENÇA NÃO EXIGE PERFEIÇÃO, EXIGE APENAS QUE VOCÊ ESTEJA LÁ.
Vejo muito isso na clínica: adolescentes que fingem não se importar. Dizem que “não precisa ir, pai”. Mas, por dentro, todo filho quer ser visto. A indiferença na adolescência é só uma casca. Por baixo dela, o desejo de ser amado e notado continua intacto.
Vocês já pararam para pensar no quanto o nosso olhar valida a vida deles? Pais, vão ver seus filhos e filhas. Façam esse esforço. No desfile, no futebol, na dança. Eles chegam ansiosos, cheios de esperança. Saber que vocês estão na arquibancada acalma um lugar dentro deles que nenhuma medalha substitui.
euVá para somar. Não vá para cobrar desempenho ou pressionar. Vá apenas para estar. A rotina nos deixa no piloto automático, mas o afeto não. E você, quando foi a última vez que parou tudo para ver seu filho brilhar?
Euller Sacramento | Psicólogo Clínico
Site: eullersacramento.com.br




