Corpo de Bombeiros Militar realiza Estágio de Salvamento e Resgate em Silos e Armazéns

O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) realizou recentemente o 1º Estágio de Salvamento e Resgate em Silos e Armazéns. O curso foi realizado em Sinop, por meio da Diretoria de Ensino Instrução e Pesquisa (DEIP).

A capacitação foi realizada levando em consideração o crescimento do número de silos, secadores e armazéns no Estado de Mato Grosso. Além disso, considera ainda, que há um projeto para construção de mais de mil e quinhentos silos no estado, devido a demanda que é grande e porque os já existentes não suprem mais de 50%, atualmente, das necessidades da produção de grãos na safra.

O estágio teve como objetivo capacitar os militares para atuação nas ocorrências envolvendo acidentes em silos e armazéns de grãos. Ao todo, 16 bombeiros de diversas unidades participam do treinamento.

Representando Tangará da Serra esteve o soldado Michel Alves dos Santos, que disse da importância do estágio de aperfeiçoamento.

“Lá foram passadas várias técnicas para a gente fazer esse salvamento e, entender a mais, o funcionamento desses silos e secadores, para que na hora de um possível acidente, a gente possa saber lidar com a situação e atender a ocorrência da melhor forma possível”,

frisa o bombeiro, ao ressaltar que a excelência do salvamento está em não salvar apenas uma vida, mas duas, a do socorrista também.

Nesse sentido, Michel falou sobre a Linha da Vida que é o ato de clipar/prender a vítima e o bombeiro também de acidentes em uma viga para que ambos não sejam sucumbidos pelos grãos.

“Priorizamos tanto em salvamento em altura quanto terrestre, uma linha da vida que é de clipar a vítima a um cabo que, se caso os grãos venham a tentar golfar, submergir essa vítima a gente consiga ter o domínio dela para que a mesma não desça mais, bem como, o bombeiro que realiza o salvamento”,

informa.

Tangará possui registros significativos de acidentes em silos e armazéns

No estágio ocorrido em Sinop, os bombeiros tiveram também maior conhecimento do espaço físico, da estrutura dos armazéns de grãos e foram orientados também, a estarem alertas aos gases desses locais que podem causar a perda de consciência dos militares.

Cabe lembrar que em Tangará da Serra acidentes em silos, secadores e armazéns tem número considerável de registros. Dentre eles podemos destacar o que vitimou em 2011, o bombeiro militar Valmir Bezerra de Jesus que hoje dá nome a 3ª Companhia Independente de Bombeiros Militar (3ªCIBM) de Tangará da Serra que perdeu a consciência quando realizava resgate em silo. Vindo a cair em um fosso de elevador com água e grãos, aonde ficou submerso.

Outro caso registrado no Município aconteceu na Vila Esmeralda quando um garoto de oito anos foi soterrado, em 2017, pelos grãos e outro na Avenida Inácio Bitencourtt quando um trabalhador, em 2016, também foi tragado pelos grãos.

“Alguns locais nos silos e secadores como o fosso do elevador, a moega, e os túneis da correia transportadora são locais de espaço confinado acumulando alguns gases por decomposição de animais, de soja e fermentação do grão que faz com que o nível de oxigênio no local seja menor e faça com que a pessoa que esteja no local tenha mais dificuldade para respirar fazendo assim, com que o socorrista ou a vítima possa perder a consciência”.

Por esse motivo, o soldado salienta a importância da verificação de gases no local, através de aferimento da porcentagem do oxigênio existente.

“Após isso, por se tratar de espaço confinado os bombeiro utilizam material apropriado que na maioria das vezes os trabalhadores nesses locais não possuem”,

frisa Michel.