“A minha filha só está viva porque tinha dois adultos por perto”, diz mãe de menina que se afogou

Possivelmente um momento de alegria poderia ter se transformado em uma imensa tragédia em Tangará da Serra, não fosse a rapidez de duas pessoas que estavam no lugar certo, na hora certa. O fato aconteceu no Tarumã quando duas amiguinhas de 11 anos tomavam banho de piscina e uma delas teve o cabelo sugado pelo ralo da piscina.

“Minha filha foi passear na casa de uma amiguinha tudo de forma muito segura. A piscina é rasa, mas tinha dois adultos por perto cuidando. Estava tudo seguro”,

relata a mãe Lenira Lima ao salientar que em momento algum as crianças ficaram sozinhas. A mãe suspeita que o afogamento da filha tenha se dado ao tentar pegar seu brinco no fundo da piscina.

“Ao que tudo indica, caiu o brinco e pelo que a gente observa na piscina, ela foi pegar, porque o brinco ainda está lá”,

destacou a Professora ao Diário da Serra.

“E o ralo, a bomba fica no fundo. Daí houve a sucção do cabelo dela. O ralo está protegido, não está sem proteção, porém o cabelo é fino e entrou nos furinhos. Daí ela ficou sugada, o cabelo ficou segurando ela ali. A coleguinha percebeu e imediatamente gritou a mãe que veio correndo e tentou soltá-la”,

frisou.

Ainda conforme a professora, embora a mãe da coleguinha tenha se esforçado bastante, por ser menor que a criança que se afogou não conseguiu, mas buscou ajuda imediata.

“Minha filha tem 11 anos, mas quase 1.70 e ela não conseguia a erguer. Daí gritou pra filha chamar o vizinho que veio rapidamente. Nisso eles já tinham desligado a bomba da piscina, mas o cabelo ficou lá dentro preso e não saía. Ele forçou muito, muito e consegui tirar ela”,

conta Lenira destacando que quando isso aconteceu já haviam se passado cerca de dois ou mais minutos que ela estava ingerindo água.

Segundo informações da mãe da criança, enquanto o homem realizava a reanimação, os bombeiros foram chamados e por estrarem em uma atividade próxima ao local do fato chegaram quase que imediatamente. Ali encontraram Ana Lívia dos Santos Lima que já estava respirando graças as manobras realizadas pelo socorrista.

“Minha filha foi socorrida pelos bombeiros e foi encaminhada para a Upa aonde recebeu todo atendimento necessário e eles acharam melhor entubar ela. Está em uma UTI evoluindo para um quadro de retirada da sedação nos próximos dias. O estado dela é estável, mas grave. Os exames realizados não apresentaram nenhuma lesão séria. Está com pneumonia, mas já está tratando porque ela ingeriu muita água”,

acrescenta aproveitando para agradecer aos envolvidos no socorro.

“A minha filha só está viva porque tinha dois adultos por perto. Tanto que quando a gente combinou da minha filha ir, a minha colega disse que poderia porque não iria trabalhar e ficaria com elas. A gente sabe da importância de ter um adulto por perto e nunca deixaríamos essas meninas sozinhas na água. Para que a minha colega não se sinta pior do que está se sentindo queria que levassem em conta tudo que aconteceu. Ela e esse homem salvaram a vida da minha filha. Eles foram fundamentais”,

finaliza a mãe.

“Depois que eu fiz o socorro não teve como segurar o choro”, diz policial que socorreu criança que se afogou

“Eu tinha acabado de sair do serviço e a filha da vizinha chegou chamando minha mãe pedindo socorro, mas ela não estava e então eu corri pra lá”.

Esses são relatos do soldado da Polícia Militar, Fabio Santos que retirou Ana Lívia da piscina e realizou as manobras para ressuscitar a menor.

Fabio formou-se em Cuiabá em 2015, trabalha em Nova Olímpia e há 8 anos serve a gloriosa Polícia Militar.

Segundo relatos do policial, aquele foi um dia atípico porque no horário que o fato aconteceu ele geralmente não está em casa porque trabalha no período da tarde, mas naquele dia houve uma mudança na escala e ele trabalhou pela manhã e havia acabado de chegar em casa.

“Gratificante mas traumatizante e quando me lembro vem um nó na garganta de pensar no que poderia ter acontecido”,

comenta o policial destacando que mesmo há tanto tempo na polícia não havia passado por tamanha agonia.

“A situação se torna mais forte por ser uma criança e em oito anos de polícia nunca pensei em passar ainda mais sendo criança”,

revelou.

Ainda conforme o policial, por mais que tudo tenha terminado bem, ao se lembrar ainda se emociona bastante porque consegue ouvir os gritos aflitos da amiga que pedia socorro no meio da rua aos prantos.

“Uma criança chegar na sua porta gritando desesperada pedindo socorro e você chegar para tentar socorrer e ver uma mãe desesperada dentro da água é muito difícil”,

disse ressaltando que ao chegar ao local ficou meio perdido, sem entender o que acontecia.

Durante a entrevista, o policial narrou passo a passo o ocorrido e assim com a mãe de Ana Lívia salientou que havia duas pessoas na casa e que a piscina é rasa.

“Os proprietários da casa estavam com as crianças e o pai havia saído para comprar refrigerante e pão de queijo para elas, porque era para ser uma tarde divertida e a mãe ficou. Infelizmente foi uma fatalidade, porque a criança já era acostumada a frequentar a casa e creio que já tomaram banho de piscina lá. A piscina não é funda, mas aconteceu essa fatalidade”,

destacou Santos se dizendo muito grato por ter podido ajudar.

“Gratificante de saber que ela está bem e de ver o rostinho da amiguinha que foi e agradecer também”,

finalizou.