Certa vez chegou até mim um adolescente que enfrentava uma batalha silenciosa: a ansiedade social. O que parecia ser apenas timidez revelava-se como um emaranhado de sentimentos complexos.

Na escola, o adolescente evitava os corredores movimentados, escolhendo caminhos alternativos para evitar olhares que, na cabeça dele, estavam todos voltados para ele. Seu coração acelerava ao pensar em interações sociais, e as palavras muitas vezes se perdiam em sua mente antes de chegar aos lábios. A ansiedade social era sua sombra constante.

Ao adentrar no mundo deste adolescente, percebo que sua jornada é comum a muitos adolescentes. A ansiedade social na adolescência é como um enigma, impactando a autoestima e as relações interpessoais. É um capítulo desafiador, onde a busca por aceitação e pertencimento muitas vezes é obscurecida pela sombra da insegurança.

Na sala de aula, o adolescente evitava levantar a mão, mesmo quando sabia a resposta. O medo do julgamento e da avaliação constante o paralisava. Seu desejo de ser aceito era genuíno, mas a ansiedade social sussurrava dúvidas em seus ouvidos, questionando sua adequação e pertencimento.

Os pais deste adolescente, ao me procurar, no início achavam que era “frescura” dele para não sair de casa, no entanto com as devidas orientações, buscaram compreender as raízes do problema.

O objetivo da psicoterapia é fornecer um espaço seguro, para o adolescente, expressar suas emoções. Jogos terapêuticos e recursos digitais são incorporados, tornando o processo terapêutico mais familiar e acessível.

Ao longo das sessões, o adolescente aprendeu a identificar e desafiar pensamentos negativos, construindo gradualmente sua autoconfiança. Estratégias de enfrentamento foram desenvolvidas, permitindo-lhe enfrentar situações sociais com mais segurança. O diálogo aberto na terapia também envolveu os pais, fortalecendo o apoio familiar.

A ansiedade social na adolescência não é uma sentença definitiva, mas sim um desafio que, com o suporte adequado, pode ser transformado em crescimento pessoal. Em Tangará da Serra, a união entre psicologia, tecnologia e apoio familiar tornou-se a chave para desvendar o enigma que o envolvia, permitindo-lhe florescer em sua jornada rumo à autoaceitação.

Euller Sacramento é Psicólogo Clínico.
Instagram: @eullersacramento.