O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Tangará da Serra (Acits), Rodrigo Andrade, manifestou preocupação com os impactos da mudança da escala de trabalho 6x1 para o modelo 5x2, especialmente para os pequenos e médios empresários.

Segundo ele, a medida foi oficializada sem estudos suficientes sobre os efeitos econômicos e operacionais que poderá provocar nas empresas.

“Foi feita uma mudança muito rápida, sem estudos de impacto, realmente, do que vai acontecer com relação aos pequenos e médios empresários. Então, a Associação Comercial se solidariza com todos os empresários e com os colaboradores também”,

analisa, ao destacar que a alteração poderia ser viável caso fosse discutida e negociada com antecedência, permitindo que empregadores e trabalhadores se preparassem para as novas regras.

Ele também questiona o momento em que a medida foi oficializada. A transição ocorre justamente em uma época de maior movimentação no comércio, quando as empresas ampliam suas operações para atender à demanda das festas de fim de ano.

“Isso também prejudica mais ainda as pessoas que se preparam para as vendas no final do ano. Isso, além de prejudicar o empresário, prejudica o próprio consumidor, porque o consumidor terá menos tempo para poder estar disponível, para poder comprar nessas lojas. E as lojas que vão trabalhar com horário estendido vão ter que ter um custo maior em relação a isso com hora extra, com outras coisas, ou com a contratação de novos funcionários”,

pontuou.

A elevação das despesas para manter o funcionamento das empresas também está entre as preocupações do setor. Conforme Rodrigo, estudos realizados pela Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Mato Grosso (Facmat) e pela confederação do segmento apontam para um possível aumento dos custos operacionais.

“Entre 10% a 15% alteração de custo para a empresa. Então, esse custo, com certeza, ele será repassado em cima dos produtos. Quem vai acabar sendo mais prejudicado é o próprio consumidor final, que vai ter que arcar com esses custos”.

Além dos custos e dos possíveis reflexos nas vendas, Rodrigo chama a atenção para o tempo disponível para que os estabelecimentos reorganizem suas atividades. Segundo ele, as empresas terão pouco tempo para rever procedimentos internos, ajustar a produção e adequar a comercialização às novas condições.

“Isso foi promulgado a lei agora pelo Congresso Nacional, pelo Senado. E falta ser homologado pelo Presidente da República ainda. Então, alguns ajustes ainda vão ter que ser feitos de como essa operação vai acontecer. Mas o prazo já está valendo, na verdade. Dia 15 de dezembro as empresas já têm que estar preparadas e prontas para o novo horário de 42 horas semanais”,

concluiu.