Esses dias precisei de uma foto dos meninos e percebi que tive dificuldade para encontrar uma na galeria do celular.

Primeiro, porque o Enzo já não gosta muito de fotos.

Segundo, porque o Théo, quando vê uma câmera, quase sempre resolve fazer uma careta.

E terceiro… na verdade o Enzo é o segundo filho, e o Théo é o terceiro... Opa. Deixa-me retomar o raciocínio. Seguimos,

Mas o ponto nem era esse.

O que me chamou atenção foi o volume. A quantidade!

Minha galeria já foi praticamente deles. Fotos de tudo, sobretudo e para tudo. Em todos os lugares. Cada descoberta, cada passeio, cada fase. Aquele registro quase automático de quem tem medo de esquecer. E esquece mesmo.

Hoje, com o tempo passando e eles crescendo, isso mudou.

As fotos deles já não são maioria absoluta. Agora se misturam ao trabalho, à rotina, às anotações, aos documentos, aos prints aleatórios que provavelmente nunca mais vou abrir.

Talvez seja assim mesmo.

A tendência é termos cada vez menos fotos deles sozinhos, juntos ou comigo.

Porque eles estão crescendo.

Rápido demais. Lindos demais. DEMAIS!

E foi aí que percebi que preciso continuar registrando.

Não apenas com a câmera.

Com presença. Com memória. Com intenção.

Guardar o que cabe na galeria e, principalmente, aquilo que NÃO cabe nela, A Qualidade.

Qualidade de que?

De tempo. De conversa. De abraço. De atenção. De estar junto enquanto ainda estamos juntos.

Porque um dia, como hoje, as fotos vão diminuir. Eles vão crescer. A rotina vai mudar. E talvez eu precise procurar uma fotografia entre milhares de arquivos para lembrar de uma fase que, quando aconteceu, e parecia que duraria para sempre. Assim como as “fotos 3/4 da vida” – aquilo que nunca conseguimos registrar por completo! Talvez ser pai seja isso, várias fotos 3/4 de uma vida completa.

E, se um dia eu esquecer algum detalhe, que fique esta pequena coleção de palavras e imagens como prova de tudo o que eles me fizeram sentir, aprender e viver, bem guardado, assim como as fotos 3/4 na carteira de todo “incompleto” pai.

Lévender Mattos.

Escreve crônicas cotidianas como passatempo – quando sobra tempo. Relatos humanizados inspirados pelo GET – Gabriel, Enzo e Théo. Criador do projeto e página autoral

@paiterapia