Os principais municípios de Mato Grosso com avicultura comercial em suas economias estão recebendo visitas de técnicos do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT) e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O objetivo é promover palestras de orientação quanto aos cuidados de prevenção e identificação da Influenza Aviária.

Em Tangará da Serra os técnicos repassaram orientações na quinta, 16, na Associação Comercial e Empresarial (Acits) e na manhã desta sexta-feira, no Centro Cultural, com forte presença da agricultura familiar.

A ação é preventiva e foi definida neste mês, após a confirmação de quatro casos de gripe aviária na Bolívia, país vizinho ao Estado.

Além de Tangará da Serra, já foram visitados os municípios de Sorriso, Nova Mutum e Nova Marilândia. Esses encontros, realizados em parceria com prefeituras e entidades produtivas da avicultura, tem reunido profissionais da avicultura como médicos veterinários e técnicos agrícolas, criadores de aves e representantes de frigoríficos e granjas.

“É uma situação nova, o risco nunca foi tão iminente como agora… Antes se ouvia falar em gripe aviária na Ásia, Europa, e América do Norte, mas de 2022 ela tem aparecido com intensidade na América Latina. Então, o sinal de alerta está ligado”, disse o médico-veterinário do Indea Felipe Mainardi, na palestra dessa sexta-feira, em Tangará da Serra.

Segundo ele, o Indea e o Mapa sempre trabalharam junto à avicultura industrial no sentido de prevenir a doença, mas as características de transmissão preocupam.

“A disseminação ocorre principalmente pelas aves silvestres, então corremos o risco dessa doença chegar aos nossos planteis”, alertou Mainardi, que destacou, ainda, a importância do controle de acesso a aviários, frigoríficos e demais estabelecimentos da avicultura é fundamental para garantir a segurança sanitária do plantel estadual.

Entre as recomendações repassadas aos participantes das palestras está a higienização das mãos e troca de roupas e sapatos antes de adentrar as granjas, desinfecção de todos os veículos que acessam a propriedade e evitar o contato da granja com outras aves, em especial aves silvestres.

“Precisamos evitar que a doença chegue aos planteis, e se chegar a aves domésticas, nas criações de subsistência, precisamos estar preparados para combater o foco, realizando ações de vigilância para identificar a doença antes que se espalhe”, acrescentou o veterinário da autarquia.

Como proceder

Todas as suspeitas de Influenza Aviária devem ser notificadas imediatamente, presencialmente ou por telefone ao Indea. Em Tangará da Serra, o telefone da unidade local de execução (ULE) do Indea-MT é (65) 3326-2388.

Na página da autarquia (www.indea.mt.gov.br) é possível encontrar o endereço e telefone de todas as unidades instaladas no Estado. Outra opção é fazer a notificação pela internet na plataforma e-Sisbravet. (Sistema Brasileiro de Vigilâncias e Emergências Veterinárias – https://sistemasweb.agricultura.gov.br/pages/SISBRAVET.html).

Sintomas

A Influenza Aviária é uma zoonose (doença infecciosa transmitida entre animais e pessoas) de alta patogenicidade e é caracterizada principalmente pela alta mortalidade de aves que pode ser acompanhada por sinais clínicos, tais como andar cambaleante, dificuldade respiratória e diarreia.

Avicultura no MT

Mato Grosso está entre os dez estados brasileiros que mais exportam carne de frango. A atividade avícola no Estado conta com 350 granjas em 28 cidades, e um total de 58 milhões de aves.

A avicultura de corte tem importante peso na balança comercial do estado. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), a previsão é de um aumento de 53,89% nos abates de aves de corte em Mato Grosso para a próxima década. Ou seja, o número de aves enviadas para a indústria deverá passar de 173,80 milhões de cabeças em 2022 para 267,45 milhões de cabeças em 2032.

Com base na produção de aves, foi prevista uma elevação de 63,05% de 2022 a 2032 no volume de carne de frango, passando de 436,41 mil toneladas para 711,57 mil toneladas na próxima década.