O Janeiro Roxo é o mês de conscientização da Hanseníase. Como os números evidenciam, ainda se faz necessário falar sobre muito sobre essa doença que carrega tanto estigma, desinformação e complexidade no diagnóstico.
Com o Brasil ocupando a segunda posição nos números de casos pela doença, não é de se espantar que Tangará da Serra siga empurrando para cima esses números.
“É uma doença que está em franca expansão”,
alerta o médico do Ambulatório de Atenção Especializada e Regionalizada em Hanseníase de Tangará da Serra, Renato Gonçalves Vaccari, Especialista em Medicina do Trabalho e graduando em Hansenologia, ao ressaltar que a doença é transmitida via respiração, através das gotículas de saliva e que pode permanecer incubada por até cinco anos, o que dificulta sua percepção, levando a pessoa infectada a disseminar a doença que nem sabe possuir.
Atualmente são 104 casos diagnosticados e em tratamento em Tangará da Serra, que somente nesses primeiros dias de 2023 já diagnosticou 25 novos casos da doença.
“É uma doença negligenciada, milenar, que até então não temos uma vacina, não temos um método eficaz de se proteger contra a transmissão e é uma doença que tem pouco investimento na divulgação, o que contribui para a dificuldade de diagnóstico”,
salienta Doutor Renato.
Com vistas a alertar, informar, combater, identificar e tratar a Hanseníase, o setor de combate a Hanseníase e Tuberculose realizará ações nesse mês, como informa a responsável pelo setor, Edna Maria Alves Batista.
“Quero convidar toda população que tenha alguma suspeita ou sinais para vir no dia 28 aqui no Posto Central, ao lado do Camelódromo, para investigarmos os sintomas”,
convida a enfermeira, que também reforça a dificuldade de fechar o diagnóstico da Hanseníase, mas garante que todos os profissionais que atendem de segunda a sexta nas Unidades Básicas de Saúde estão aptos para atender casos de suspeita da doença.
A responsável ressalta ainda que o município de Tangará da Serra é responsável também por mais outros nove municípios.
“Nós damos apoio a essas 22 unidades e mais nove municípios da região, sendo Arenápolis, Nortelândia, Campo Novo do Parecis, Barra do Bugres, Denise, Marilândia, Nova Olímpia, Sapezal e Porto Estrela”.
Além do mutirão de atendimentos para diagnóstico no dia 28, acontecerão ações no dia 20 no Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), com capacitação para os Agentes Comunitários de Saúde nos períodos matutino e vespertino, e no dia 25 atendimento com pessoas previamente agendadas.
Médico de Tangará da Serra participa de nova turma de Hansenólogos, após 40 anosInfelizmente, por ter sido negligenciada por anos a fio, os casos de Hanseníase colocam o Brasil, o Estado e Tangará da Serra em uma posição nada agradável. Mas com essa classificação, o Estado busca formas para reverter esse quadro. Uma das primeiras ações foi resgatar a formação em Hansenólogo que teve uma última turma formada há 40 anos.
“Não existe formação para hansenólogos no país há 40 anos. Os [profissionais] de formação são muito velhos e já não trabalham mais nessa área. Só agora houve a junção do Ministério da Saúde com Secretaria de Saúde do Estado e a Sociedade Brasileira de Hanseníase (SBH) e começaram por Mato Grosso”,
revela o médico Renato Gonçalves Vaccari, graduando em Hansenologia e que termina a especialização em julho.
“Somos 20 médicos fazendo essa especialização há dois anos e terminamos agora em julho, para que tenham novos hansenólogos com a visão mais apurada para se fazer o diagnóstico da doença”,
pontua.
Conforme o especialista, ter profissionais formados na área dará um novo olhar para essa falta de precisão, para que o tratamento seja iniciado. Para o médico, o contato com o paciente com olhar mais apurado e humano facilita o diagnóstico que pode ser facilmente confundido com uma fibromialgia ou outra doença, porque tem sintomas parecidos e por isso carece de um exame mais detalhado e profundo.
“Não existe um exame que vai me dar 100% de positividade ou negatividade da doença, então o paciente com suspeita tem que ser examinado, despido, (...) porque criou-se um mito de que a doença aparece somente por manchas, e isso não é uma regra sempre”,
frisa.
A doença, segundo o médico, pode iniciar com câimbras, dores articulares e alteração de sensibilidade da pele, para mais ou para menos, e pode ou não apresentar manchas com sensibilidade. Caso a pessoa tenha um ou alguns desses sintomas, deve buscar as Unidades Básicas de Saúde aonde passará por exames detalhados capazes de confirmar ou descartar a doença.
Cabe salientar que caso uma pessoa possua a doença, toda a família que teve contato deve realizar os exames e fazê-los por cinco anos, uma vez que a Hanseníase pode se manifestar anos após o contato com a pessoa infectada.




