Em meio a um clima de apreensão com o avanço da Covid-19, da Dengue e da Chikungunya, o aumento do número de casos de hanseníase é mais uma preocupação do setor de saúde pública em Mato Grosso.

De janeiro a novembro de 2023 o Brasil registrou aumento de 5% nos casos, segundo dados do Ministério de Saúde. Mato Grosso é o estado com maior incidência da doença no país. Segundo a Secretaria de Saúde de Mato Grosso, houve 4.212 casos em 2023, o que corresponde uma variação a maior de 77% em comparação a 2022, ano que somou 2.375 registros.

Em Tangará da Serra também houve aumento do número de casos em 2023. Ano passado os casos somaram 132, contra 78 em 2022. Ou seja, em um ano, o município sofreu um aumento de praticamente 70% nos casos de hanseníase.

Em janeiro de 2024 foram diagnosticados 12 casos, número ligeiramente superior à média de 11 casos mensais de 2023. Hoje, o município possui 170 pessoas em tratamento.

Segundo a técnica em Enfermagem Edna Maria Alves Batista, responsável pelo Ambulatório de Atenção Especializada e Regionalizada em Hanseníase (AAER) de Tangará da Serra, o aumento de casos está relacionado, também, à maior procura pelo diagnóstico. Porém, há dificuldades para um diagnóstico mais precoce em razão do constrangimento.

“A maior procura está relacionado ao período pós-pandemia, mas os diagnósticos são dificultados pelo estigma e a discriminação social e ao medo e falta de conhecimento sobre a doença”,

explica a profissional.

Causada por uma bactéria, a enfermidade pode se manifestar de diferentes maneiras, como manchas na pele, feridas, inchaço nas mãos e articulações, olhos ressecados, dormência, diminuição de sensibilidade, coceira, febre, entre outros.

A hanseníase tem cura, com tratamento gratuito realizado nas unidades de saúde. O tratamento é via oral, constituído pela associação de dois ou três medicamentos e é denominado poliquimioterapia.