A morte de uma capivara atropelada na noite da última sexta-feira, dia 11 de setembro, em Tangará da Serra, na Avenida Inácio Bittencourt Cardoso, próximo ao Lar do Idoso, chama atenção para um problema que vai muito além de um animal encontrado às margens da via: o passivo ambiental provocado pelos atropelamentos de fauna. Enquanto estudantes do curso de Ciências Biológicas da Unemat encontraram uma forma de transformar a perda em conhecimento, a ocorrência também reforça a necessidade de políticas públicas permanentes para evitar que animais continuem morrendo nas estradas.

Os acadêmicos Maisa Bulhões Genelud, Willian Adão Fagundes e Beatriz Martins de Oliveira viram a capivara morta enquanto seguiam para as aulas na universidade, e procuraram os professores Leonardo Souza Lobo e Diones Krinski, perguntando se o animal poderia ser aproveitado nas atividades práticas do curso. Os docentes apoiaram a iniciativa e ajudaram no recolhimento. O animal foi acondicionado para decomposição e posterior preparação dos ossos, que serão utilizados nas aulas do curso.

“É bom aproveitar esses animais mortos para aumentar a quantidade de organismos que podem ser utilizados em estudos mais aprofundados”,

afirmaram os estudantes. Para eles, também é necessário criar caminhos seguros para que a fauna não precise atravessar as rodovias.

O professor Leonardo Lobo destaca que os atropelamentos, infelizmente são frequentes e representam tanto risco à segurança das pessoas quanto perda de biodiversidade. Segundo ele, registrar e coletar esses animais permite identificar pontos críticos e produzir evidências capazes de fundamentar medidas mitigadoras, como passagens de fauna, túneis, pontes ecológicas e cercas de proteção.

O professor Diones Krinski defende que, quando a prevenção e o resgate não forem suficientes para salvar o animal, os exemplares mortos também precisam ter uma destinação adequada.

“O ideal seria que a Universidade tivesse uma estrutura para armazenar esses animais e aproveitá-los no ensino, na pesquisa e na extensão, inclusive por meio da taxidermia (empalhamento)”,

afirma. Para ele, é necessário avançar em parcerias entre universidades, órgãos ambientais, Polícia Militar Ambiental e concessionárias das rodovias pedagiadas.

“A Unemat está aberta para todo tipo de parceria, com o intuito de melhorar o ensino e, ao mesmo tempo, preservar o ambiente”.