Nas últimas semanas, Tangará da Serra e municípios vizinhos têm convivido com um incômodo crescente: a infestação de moscas-brancas dentro da cidade. Embora historicamente associada às lavouras, a praga ganhou o espaço urbano e passou a impactar diretamente o cotidiano da população, sobretudo de motociclistas, ciclistas e pedestres.
Quem circula pela cidade relata nuvens densas de insetos, principalmente ao amanhecer e no entardecer. Para o biólogo e motociclista William Cardoso Nunes, a situação compromete a segurança no trânsito.
“Quando saímos de moto com a viseira aberta, entra muito inseto no olho, no nariz, na boca. Tem atrapalhado bastante andar por Tangará da Serra”,
afirma.
O estudante de Agronomia e também motociclista, Matheus da Costa Antônio destaca outro problema: a perda rápida de visibilidade.
“Elas batem na viseira e formam uma camada gordurosa. Tentar limpar só espalha mais”,
relata.
Segundo ele, o desconforto aumenta em dias quentes, quando o uso da viseira aberta se torna quase impossível.
Em Nova Olímpia, a infestação também chama atenção. O estudante de Biologia Anael José Cardoso de Souza conta que até atividades simples, como caminhar ou pedalar, se tornaram difíceis.
Do ponto de vista científico, a professora do curso de Ciências Biológicas, Dra. Alessandra Regina Butnariu, da UNEMAT/Tangará da Serra, explica que a mosca-branca está entre as dez pragas de maior risco fitossanitário do mundo. Apesar do nome, não pertence ao grupo das moscas, mas ao dos percevejos. Polífaga, alimenta-se de mais de 500 espécies de plantas, o que facilita sua adaptação ao ambiente urbano.
Entre as causas do surto estão o aumento das temperaturas, associado às mudanças climáticas, e o uso intensivo de inseticidas nas lavouras, que seleciona populações resistentes.
“Esses insetos transitam facilmente entre áreas agrícolas, jardins, praças e até dentro das casas”,
explica a pesquisadora.
Para pequenos espaços, como quintais e plantas domésticas, a especialista orienta com soluções simples: uma receita de água, vinagre e algumas gotas de detergente em um borrifador podem ajudar no controle, sem impactos ambientais para a população.




