Embora muitos municípios não tenham se atentado para tal reconhecimento, em Tangará da Serra as autoridades constituídas têm buscado eternizar nomes de pessoas que fizeram história no município, não permitindo que essas recordações venham a se perder, adotando para isso a denominação de ruas, praças e outros locais públicos. Nessa vertente, o Projeto Memória relata essas histórias para que não sejam apenas um nome na placa, mas para que os homenageados sejam reconhecidos como merecedores.

Assim aconteceu com Rita de Cássia Lima Costa Rodrigues, que dedicou 40 anos à Educação em Tangará da Serra, sempre buscando colaborar para o crescimento intelectual dos alunos e também buscando melhorias estruturais para as instituições pelas quais passou.

Rita teve seu nome eternizado na Escola Cívico Militar Professora Jada Torres, no Dona Júlia, como nome do refeitório da unidade escolar. A homenagem ocorreu no ano de 2019.

Ela era filha de Francisco Lima Costa e Aparecida Silva Lima Costa que teve apenas um casal de filhos, sendo o mais velho, Osmar Lima Costa.

Rita nasceu em Tupi Paulista, interior de São Paulo no dia 20 de julho de 1955. Casou-se com Valdomiro Rodrigues, que era advogado, e em 1977 se mudou para Tangará. Com ele teve três filhas, mas a primeira perdeu ainda na gestação. Após 4 anos deu à luz, Carolina   Lima Costa Rodrigues e um ano e meio depois, à Gabriela Lima Costa Rodrigues.

Mudança: semeando conhecimentos em novas terras

Há época, já era formada em Pedagogia e morando em Tangará, concluiu o curso de Letras, sendo habilitada em Língua Portuguesa.

A primeira escola na qual exerceu a profissão foi a Estadual 13 de Maio, onde permaneceu por muitos anos.

Como traçava metas e seguia uma a uma, prestou o concurso do Estado de Mato Grosso, passou, e nessa mesma escola, foi diretora, coordenadora e professora.

Depois da 13 de Maio foi para a Escola Jada Torres, onde também permaneceu como diretora por longa data.

“E nesta escola também deu o sangue, trabalhava com muito amor e conquistou muitas pessoas para além dos muros da escola. As famílias eram presentes, conversavam com ela, os alunos a respeitavam muito. Ela incentivava muito a todos para estudar”,

conta a filha Carolina Lima Costa Rodrigues.

“Não tinha medo do novo e fez muito pela escola e comunidade”.

Carol relata que na época em que a mãe trabalha nas escolas 13 de Maio e Jada Torres, a acompanhou por muitas vezes a Cuiabá para tratar de assuntos das unidades escolares, como prestações de contas, por exemplo.

“Na época era praticamente tudo tratado pessoalmente na capital”.

Rita também era concursada do Município e deu aula na Escola Agrícola Ulisses Guimarães, além de trabalhar por longo tempo no Centro Municipal Joana D’Arc, onde permaneceu até sua aposentadoria, um mês antes de falecer.

Uma corrida contra o tempo, que infelizmente acabou perdida

Em 2015, descobriu um câncer nos pulmões, e por quase três anos, lutou bravamente pela vida, até que em 20 de dezembro de 2017, veio a falecer em decorrência da doença.

“Minha mãe é um exemplo de mulher que viveu à frente de seu tempo. Mesmo após a separação, quando eu tinha apenas três anos, não abaixou a cabeça e lutou com bravura para sustentar a família, trabalhando os três períodos do dia. E, mesmo com a correria, conseguiu nos criar, nos ensinando os valores, o amor, a disciplina e também que o estudo é parte importantíssima de nossas vidas. Sempre nos dizia: “Com diploma embaixo dos braços, vocês conseguirão trabalho em qualquer lugar do mundo” e “o conhecimento é a única coisa que nunca conseguirão tirar de vocês “, o que levamos para nossas vidas”.

O reconhecimento

A homenagem segundo Carolina, enche o coração de alegria.

“Saber que minha mãe foi homenageada pela escola me encheu de orgulho, pois ela é minha inspiração de garra, luta, dedicação e amor à profissão e à vida. Fui criada dentro de escola e sei o quanto essa profissão é importante e essencial à uma nação”.

Diretor há época da escola Jada Torres, Magno Alves responsável pela reforma e presente à inauguração, enalteceu a passagem de Rita pela Terra, por Tangará da Serra, pelas salas de aula e pela vida de alunos, amigos e familiares, e disse que a homenagem ainda foi pouco pelo muito que Rita foi.

“A gente quis fazer essa homenagem à Rita de Cássia, a qual sempre batalhou para a Educação. Ela ficou sete anos na direção da Jada Torres, sempre colaborando de forma efetiva nas atividades e conquistas”,

comentou Magno Alves.