A hanseníase ainda é uma realidade no Brasil. Todos os anos, milhares de novos casos são registrados, colocando o país como o segundo no ranking mundial da doença. Estados como Mato Grosso lideram os números, o que reforça a necessidade de atenção redobrada da população e das autoridades de saúde.
Apesar de ser uma doença antiga, a hanseníase tem tratamento e cura. O principal desafio continua sendo o diagnóstico precoce, fundamental para evitar complicações e sequelas. Manchas na pele com alteração de sensibilidade, dormência e formigamento estão entre os principais sinais de alerta e não devem ser ignorados.
A responsável pelo Ambulatório de Atenção Especializada e Regionalizada em Hanseníase em Tangará da Serra, a técnica de enfermagem Edna Maria Alves Batista destaca que a conscientização vai além do mês de janeiro.
“Janeiro é o mês de conscientização e combate à hanseníase”,
reforça, ao destacar que, apesar da intensificação, o trabalho segue de janeiro a janeiro.
“Uma doença infectocontagiosa crônica de evolução lenta, causada pela bactéria Mycobacterium leprae e afeta principalmente nervos e pele. Uma doença milenar, só que, infelizmente, ainda um grande problema de saúde pública”,
alerta, ao destacar que os números reforçam a gravidade do cenário.
“O Brasil fica em segundo lugar no mundo com o maior número de casos de hanseníase e Mato Grosso, lidera dentre os estados brasileiros. Em 2024, nós tivemos 4.600 casos diagnosticados no Mato Grosso”.
Na região de Tangará da Serra, os dados também chamam atenção.
“A Regional de Tangará da Serra é composta por 10 municípios. Hoje temos 356 diagnósticos de hanseníase. Dentre esses, 179 foram realizados aqui em Tangará da Serra”.
O Ambulatório de Hanseníase é referência para o atendimento especializado e recebe pacientes encaminhados pelas unidades básicas de saúde.
Segundo Edna, as equipes de saúde estão preparadas para identificar e acompanhar os casos.
“Todos os profissionais das unidades de Tangará da Serra estão capacitados, treinados para atender, realizar diagnóstico, fazer o acompanhamento do paciente com hanseníase”.
Busca ativa e informação são essenciais para combater a hanseníase
Mesmo sendo uma doença milenar, a hanseníase segue presente no cotidiano da população e ainda enfrenta desafios, especialmente relacionados à subnotificação e ao diagnóstico tardio. Para a médica hansenologista do Ambulatório de Atenção Especializada e Regionalizada em Hanseníase em Tangará da Serra, Vanessa Araújo, a identificação precoce e a busca ativa dos contatos são estratégias fundamentais para interromper a transmissão.
“A hanseníase, apesar da doença milenar, ela está presente no nosso dia a dia. Falta muito diagnóstico ainda. Por mais que a gente tenha atendimento, tenha diagnosticado pacientes, inclusive crianças em tratamento, a busca ativa dos contatos das pessoas que estão com hanseníase, que estão tratando, é essencial para quebrar essa cadeia de transmissão dessa doença tão antiga e que ainda é problema de saúde pública no Mato Grosso, no Brasil, mundialmente”.
A médica ressalta que, apesar de contagiosa, a doença não deve ser associada a preconceitos.
“(...) É transmitida através da via aérea, respiração, contato próximo, íntimo, prolongado, pessoas que convivem na mesma casa, pessoas no ambiente mais fechado por várias horas por dia, não é uma doença que a pessoa escolhe ter. Então, não tem como falar de onde que pegou, como que pegou, então a gente tem que ir atrás mesmo dos sintomas”.
Os sintomas iniciais estão ligados, principalmente, aos nervos. Manchas na pele com alteração de sensibilidade, dormência e formigamento estão entre os principais sinais de alerta.
“O diagnóstico da hanseníase é clínico. Então, uma boa avaliação neurodermatológica, palpando os nervos, testando com estesiometria, a gente pode dar o diagnóstico e o acompanhamento da doença”,
explica, ao ressaltar que exames complementares podem auxiliar, mas existem critérios bem definidos.
Para mais informações, a população pode procurar qualquer unidade de saúde do município de Tangará da Serra ou o Ambulatório de Atenção Especializada e Regionalizada em Hanseníase, pelo telefone (65) 99953-1351.




