Segunda-feira (17) foi o dia Mundial do Gato, nunca fui muito fã de gatos. Quer dizer, não era. Até que um dia, ela apareceu. Pequena, magra, com uns cinco meses de vida e uma audácia surpreendente.
Lembro exatamente do momento. Eu estava de pé na cozinha quando vi a silhueta dela na porta. Do outro lado, minhas cachorras — vigilantes e prontas para reagir. A gatinha parou, olhou e, sem medo, miou. Aquele miado pareceu um desafio ou um pedido, não sei. O que sei é que, no instante seguinte, minhas cachorras correram atrás dela, latindo sem parar até encurralar ela embaixo de algumas madeiras no fundo do quintal.
Chamei minha esposa e minha filha para intervir na situação. Eu, particularmente, não queria me envolver. Gatos eram criaturas misteriosas demais para mim. Mas, quando minha filha pegou aquela pequena nos braços, algo mudou. A gatinha se aninhou ali, como se aquele fosse seu lugar desde sempre. Magra, cansada, entregue ao afeto. Minha filha, com olhos brilhando, olhou para mim e já soube: queria ficar com ela.
Eu, lógico, fui racional. Pensei em todas as dificuldades: viagens, mais um animal para cuidar, a adaptação com as cachorras, o caos que poderia ser. Disse que não. No dia seguinte, minha filha acordou cedo para ver como a gatinha estava. Ela já havia escolhido ficar. E, bem, a verdade é que nós também já tínhamos sido escolhidos.
O tempo passou, e aquela gata que chegou de repente, hoje dorme todas as noites no pé da nossa cama. Não vivemos mais sem ela. Trouxe uma leveza nova para a casa, um tipo de companhia silenciosa, mas presente. O jeito peculiar dela, os saltos inesperados, os ronronares em momentos aleatórios, tudo se tornou parte da nossa rotina.
Olho para trás e percebo como alguns encontros são inegociáveis. A gente planeja a vida com tantas certezas, mas o destino, teimoso, coloca no caminho exatamente o que precisamos. No meu caso, uma gata. Ou melhor, Zuri.
Dizem que só quem tem gato entende. Hoje, posso confirmar: é verdade. E por isso, neste Dia Mundial do Gato, celebro não apenas minha gata, mas todos os felinos que escolheram lares para chamar de seus. E, principalmente, todos aqueles que foram escolhidos sem nem perceber que, no fundo, precisavam desse encontro.




