Uma história que já parecia ter um final se transformou em milagre. A pequena Sofia Emanuela de Souza, que nasceu com apenas 24 semanas de gestação e foi considerada um aborto diante da medicina, passou 145 dias entre a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal e a pediátrica do Hospital e Maternidade Santa Ângela de Tangará da Serra.
A história de luta, superação e vitória começou ainda na gestação. Amanda Souza, mãe da pequena Sofia, é moradora do Município de Sapezal e conta que até engravidar nunca havia enfrentado problemas de pressão. Mas, quando completou 24 semanas, a hipertensão surgiu e trouxe complicações graves.
“Quando eu fui fazer a segunda morfológica, descobri que estava com pouco líquido na placenta. O médico perguntou se eu tinha pressão alta, eu falei que sim”,
recorda.
Nos dias seguintes, a situação de Amanda se agravou.
“Eu estava perdendo líquido. Fiquei internada em Sapezal e quando me mandaram para Tangará, eu já estava em um estágio muito avançado de pré-eclâmpsia”,
relembra.
Foi nesse momento que a decisão mais difícil precisou ser tomada: Sofia precisava ser tirada, mas para Amanda, a fé diante do diagnóstico da filha foi o que a manteve firme.
“O doutor falou que ia tirar a Sofia, mas deixou claro que seria um aborto. Que tinha 1% de chance só de sobrevivência. Mas falei, ‘para Deus 1% é 100%, doutor’”,
conta Amanda, emocionada, ao relembrar do momento.
A bebê nasceu tão pequena que cabia na palma da mão da mãe.
“Quando minha filha nasceu, que eles falaram que ela estava respirando, foi tudo pra mim”.
A partir dali uma nova fase se iniciou na vida da pequena e de sua mãe. Sofia foi transferida para a UTI neonatal onde os médicos deram início ao tratamento, a cada intercorrência, a mãe renovava suas orações.
“Todos os dias eu ia na neonatal, orava para a Sofia e falava: “minha filha, você é forte. Você vai sair daqui”.
E foi justamente o que aconteceu, Sofia superou todas as adversidades, enfrentou todos os testes que a medicina dizia que ela não poderia passar, e hoje, com 2,3 kg e em casa, Sofia representa um milagre para a família.
“Sofia venceu todas as barreiras que as pessoas falavam que era impossível ela fazer, e ela fez. Sou muito grata a todos os profissionais e hoje minha filha é um milagre, forte e perfeita. Como Deus prometeu pra mim e cumpriu o propósito”,
afirma Amanda.
Mesmo prematura Sofia foi alimentada com o leite da mãe
Estamos no mês da campanha nacional do “Agosto Dourado” e a história de Sofia Emanuela de Souza nos faz refletir sobre a importância do aleitamento materno. Amanda Souza, mãe da pequena, conta que inicialmente Sofia não pôde receber o seu leite, e que isso a deixou muito mal, pois ela estava produzindo o alimento que é considerado pela Organização Mundial da Saúde, “padrão ouro”.
“Ela tomava alimentação parenteral, ganhava os nutrientes, porém eu não podia alimentá-la com o meu próprio leite. Eu sofria com isso”.
Mas com a progressão da melhora da pequena Sofia, Amanda recebeu a tão sonhada notícia.
“Quando eles falaram pra mim: “mãezinha pode tirar o leite pra você alimentar sua filha”, nossa, foi um ganho pra mim”,
relembra Amanda emocionada.
Mesmo após tantos dias de incertezas na UTI, Amanda nunca deixou de produzir leite. Desde o segundo dia de vida de Sofia, o leite materno já estava sendo produzido em seu corpo, e isso reforça que a amamentação pode acontecer mesmo em casos de extrema prematuridade, ainda que de forma adaptada.
Para Amanda, ver sua filha se fortalecer com o próprio leite foi mais do que uma vitória, foi a confirmação do milagre que ela tanto acreditou.
“Eu tirava o leite em casa e levava nas bolsinhas. Quando eu vi a Sofia se alimentando através do meu leite e crescendo, foi a melhor coisa, foi perfeito”.
Em meio ao mês de promoção e fortalecimento ao aleitamento materno, histórias como a de Sofia traduzem o quanto o leite da mãe foi parte essencial nessa trajetória.
“Hoje eu estou com minha filha em casa, no cantinho dela. Hoje eu acordo à noite para amamentá-la. Então hoje minha filha é um milagre”.




