Théo é o nosso “último”!
O último que ainda me chama para brincar, que chega contando alguma coisa da escola, que pede para assistir a um desenho aleatório comigo na sala. O último que, no meio da correria, interrompe o que estou fazendo só para pedir um abraço.
E talvez eu ainda não tenha aprendido a dar a devida importância a isso.
A gente passa tanto tempo querendo que os filhos cresçam, que durmam sozinhos, que se vistam sem ajuda, que aprendam a se virar. Comemoramos cada conquista, cada sinal de independência. Até que, um dia, percebemos que algumas coisas deixaram de acontecer. Não porque decidimos que era hora, mas porque eles simplesmente não precisam mais.
Por isso, hoje, quando Théo pede um abraço, tento me lembrar de uma coisa simples: não ser o primeiro a soltar.
Deixar que ele fique mais um pouco, que encoste a cabeça no meu peito, que encontre ali um lugar onde não precisa explicar nada, resolver nada ou ser corajoso. Só ficar.
Talvez ele nem saiba por que precisa daquele abraço. Talvez tenha sido um dia difícil na escola, talvez queira contar alguma coisa, talvez só precise ter certeza de que estou ali. E tudo bem. Nem todo pedido de colo precisa de uma explicação.
O abraço também é uma forma de dizer: estou aqui, você está seguro, pode contar comigo.
E, enquanto faço isso, tento guardar na memória a cena inteira. O tamanho das mãos, o jeito de chegar perto, a voz pedindo mais um pouquinho. Porque sei que, um dia, ele vai entrar e sair de casa sem precisar me procurar para essas pequenas coisas.
Confesso que já conversei com a Fada sobre isso. Sobre termos exagerado no número de filhos, sobre se não teria sido melhor parar antes. São pensamentos que aparecem, especialmente quando a vida aperta e a gente tenta dar conta de tudo. Afinal, criar filhos também cansa, exige, tira o sono e faz a gente questionar as próprias escolhas.
Mas há dias em que a vida responde sem precisar de argumento algum.
Hoje, vendo Théo me pedir mais um abraço, pensei que talvez a gente não saiba avaliar tão bem assim o que ainda está por vir quando decide o tamanho da família. Talvez algumas alegrias só se revelem muitos anos depois, disfarçadas de pedidos simples, desenhos sem sentido e conversas sobre o recreio.
Ter um último filho é também ter uma última chance de viver certas coisas sabendo que elas não vão durar para sempre.
E isso muda tudo.
Não quero apressar o Théo para crescer. Nem quero que ele fique pequeno para sempre. Quero apenas estar presente o suficiente para não deixar passar despercebido o que, daqui a alguns anos, vou desejar poder repetir.
Então, quando ele pedir um abraço, vou tentar não ser o primeiro a soltar.
Pelo menos hoje, eu já sei que o tempo não espera. E que algumas coisas, quando passam, não voltam.
Ainda bem que hoje o Théo me pediu mais um abraço.
Por Lévender Mattos.
Escreve crônicas cotidianas como passatempo, apreendeu a gostar de abraços. Relatos humanizados inspirados pelo GET – Gabriel, Enzo e Théo. Criador do projeto e página autoral @paiterapia





