Recentemente a modelo, jornalista e ex-assistente de palco Lygia Fazio, 40 anos, teve complicações por conta de aplicação de silicone industrial e PMMA no bumbum e faleceu. A ver esta notícia me veio a reflexão sobre um problema maior, um vilão insidioso, escondido na sombra das curtidas e dos compartilhamentos. O vilão é a busca implacável pela perfeição física, a obsessão pelo "corpo perfeito" um padrão inatingível que nos consome, pouco a pouco, por dentro.
Vivemos num mundo em que a busca pelo padrão de beleza estabelecido é incessante, onde corpos são moldados, esculpidos e muitas vezes degradados em busca de um ideal estético fugaz e volátil. Principalmente as mulheres, são bombardeadas diariamente com imagens de corpos "perfeitos", numa tentativa massiva de padronização que não considera a singularidade de cada ser.
Nas páginas ilustradas de nossas revistas e nas telas de nossos smartphones, a perfeição é aparentemente atingida com facilidade, repetida em poses, sorrisos e corpos esculpidos. Mas o que não vemos é o custo disso, as longas horas de treinamento, a alimentação controlada, a ansiedade constante e a pressão sufocante para manter esse estado de perfeição. E talvez o mais cruel de tudo seja que, mesmo quando se chega lá, quando se atinge esse pico precário de perfeição, a satisfação é ilusória. Porque a perfeição, em seu núcleo, é subjetiva. Nós somos seres subjetivos, cada um com nossos próprios ideais e padrões de beleza, que flutuam e mudam como as marés.
Em nosso fervor para caber em moldes perfeitos, esquecemos que a beleza é mais do que aparência. A beleza verdadeira, aquela que realmente importa, vai além de qualquer padrão imposto. Reside no sorriso sincero, no olhar apaixonado, na gentileza, na sabedoria e na generosidade que caracterizam o ser humano.
É tempo de rejeitarmos a ideia de um corpo "perfeito". A perfeição, se existe, reside em abraçar quem somos, com todas as nossas imperfeições e diferenças. Afinal, é nas nossas peculiaridades que reside nossa verdadeira beleza.
Que a história de Lygia sirva como um lembrete sombrio do custo da conformidade. Que nos inspire a rejeitar a tirania da perfeição e a abraçar a beleza em todas as suas formas variadas e maravilhosas.




