O papel do pai, ao longo da história, tem sido muitas vezes reduzido ao de provedor financeiro, colocando-o numa posição de suporte secundário na criação dos filhos. "Ele ajuda", é uma frase comum que se ouve. Mas ajudar sugere um caráter temporário, de quem dá uma mãozinha, mas não se envolve totalmente. A paternidade é muito mais do que isso, é um pilar fundamental no desenvolvimento emocional, social e cognitivo de seus filhos(as).

Muitas vezes, a cultura e até a linguagem popular colocam o pai no papel de "rede de apoio". Mas uma rede de apoio é externa; é formada por avós, tios, amigos e vizinhos. Dentro do núcleo familiar, a responsabilidade pela criação e educação dos filhos deve ser compartilhada igualmente entre mãe e pai.

Trata-se de um compromisso integral com a criação e bem-estar dos filhos. A ideia de que as mães são as principais cuidadoras e os pais, coadjuvantes ou assistentes ocasionais, é um equívoco que precisa ser desconstruído.

A presença paterna constante e ativa vai além de simplesmente “estar lá”. É participar das decisões, dos cuidados diários, das idas ao médico, das noites em claro. É entender que não há tarefas exclusivas de mãe ou de pai. Ambos podem e devem trocar fraldas, preparar refeições, brincar, educar. Isso reforça laços afetivos e também mostra ao filho que cuidado e amor não têm gênero.

A figura paterna ativa e presente oferece inúmeros benefícios para as crianças, desde um maior equilíbrio emocional até o desenvolvimento de relações mais saudáveis no futuro. Além disso, quando as responsabilidades são compartilhadas, as mães não ficam sobrecarregadas, levando a uma dinâmica familiar mais harmoniosa.

Homem/Pai, quando você vê o seu lugar de pai apenas como mero apoio ‘quando dá eu ajudo’, você minimiza sua importância e capacidade. Estamos também perpetuando estereótipos de gênero que há muito deveriam ter sido superados. Pai não é ajudante, é co-protagonista na história de crescimento e formação de um ser humano

A responsabilidade compartilhada na criação dos filhos contribui para um ambiente familiar mais harmonioso e equilibrado. E, mais importante, cria uma base sólida para que a criança cresça compreendendo que amor, cuidado e responsabilidade não são tarefas segmentadas por gênero, mas sim expressões humanas universais.

Euller Sacramento é Psicólogo Clínico. Insta: @eullersacramento