Houve um tempo em que percorrer 50 quilômetros exigia mais de duas horas de viagem para um motorista de caminhão em uma rodovia aberta na década de 1970 pelo Exército no alto da Serra dos Parecis, em Tangará da Serra. Em períodos de chuva, esse trajeto em estrada de terra podia levar até quatro horas — isso quando um atoleiro não obrigava a longas paradas, à espera de um trator de algum produtor rural da região para prestar socorro.
Essa realidade começou a mudar em 22 de dezembro de 2022, quando o Governo de Mato Grosso publicou o edital de licitação nº 110 para a pavimentação de 54,36 quilômetros da MT-358, no Chapadão do Rio Verde, divisa de Tangará da Serra com Campo Novo do Parecis. Orçada, à época, em R$ 79.123.303,32, a obra foi licitada na modalidade RDC (Regime Diferenciado de Contratação), após produtores rurais organizados pela Associação Rio Verde custearem o projeto executivo, ao valor aproximado de R$ 2 milhões.
A pavimentação pôs fim a um impasse que se arrastava havia 46 anos. A mobilização dos produtores rurais da região, aliada à adesão do governo estadual, viabilizou a execução de uma obra considerada estratégica para a logística e o desenvolvimento regional.
No último dia 14, a comunidade celebrou a inauguração do trecho entre a localidade de Itanorte, entroncamento com a BR-364, e o armazém da CRV. O evento contou com a presença do governador Mauro Mendes e diversas autoridades.
A pavimentação foi executada, em sua maior parte, pela Guaxe Construtora, sediada em Tangará da Serra, com outro trecho realizado pela empreiteira MTSul. A fiscalização dos trabalhos ficou sob responsabilidade da Associação dos Produtores do Chapadão do Rio Verde, que projeta uma nova fase para a região.
Durante a solenidade, o governador Mauro Mendes destacou o papel da classe produtora no desenvolvimento econômico de Mato Grosso. Segundo ele, a participação dos produtores nas parcerias tem sido determinante para viabilizar investimentos em infraestrutura.
“Eles produzem, recolhem impostos e contribuem com o Fethab. Cabe ao governo aplicar bem esses recursos. Quando o dinheiro público é bem gerido, sobra para investir em benefício dos produtores e da população. No Chapadão do Rio Verde, os produtores fizeram o projeto e o governo executou a obra. Esse é um exemplo de união”.




