Com o objetivo de sensibilizar as autoridades e também a sociedade em geral, enfermeiros de Tangará da Serra realizaram no final da tarde da última quarta-feira, 21, um manifesto pacífico na Praça da Bíblia para reivindicar o teto salarial vetado pelo Supremo Tribunal Federal.
Aprovada pela Câmara e pelo Senado no primeiro semestre, a lei do piso foi suspensa por 60 dias pelo STF, a pedido da confederação que representa os hospitais privados. Neste prazo, de acordo com a decisão, devem ser avaliados os impactos financeiros da medida, não só para os hospitais privados como para governo federal, estados e municípios.
A decisão foi tomada pela categoria como injusta, como informa uma das coordenadoras da manifestação em Tangará da Serra, a enfermeira Aparecida Ferreira da Silva.
“Hoje a gente está aqui com esse movimento pedindo respeito porque o nosso piso salarial foi suspenso e a gente está cobrando e reivindicando que revoguem essa decisão do STF”,
comentou.
Conforme a enfermeira, essa foi uma luta de 30 anos que foi reconhecida, e que está fortemente ameaçada. Conforme Aparecida, a categoria é importante e deveria ser mais valorizada.
“É injusto nesse momento e por tudo que passamos durante essa pandemia quando perdemos colegas, ficamos exaustos de tanto trabalhar. Nós fomos a linha de frente e ninguém abandonou o barco. Ficamos lá trabalhando 12, 24, 36 horas. Profissionais que deixaram a família em casa para cuidar dos entes de outras famílias. A gente só está pedindo um pouco mais de dignidade. Não estamos pedindo, e não queremos palminhas, pedimos respeito!”.
Assim como em Tangará da Serra, os manifestos aconteceram em várias outras cidades do Brasil, e muitos paralisaram, inclusive, os serviços. Embora tenha havido essa sugestão para pressionar as autoridades, em Tangará isso não ocorreu e segundo Danila Pequeno Santana, também coordenadora do movimento, não há essa intenção.
“A enfermagem toda foi tomada por um sentimento de injustiça e ingratidão, mas aqui em Tangará em nenhum momento pensamos em paralisar o atendimento e tanto a UPA quanto o hospital continuam atendendo normalmente. Em nenhum momento nossa vontade é que tenha algum tipo de prejuízo para a população, e o que fizemos foi montar o movimento para pedir o apoio da população para pressionar as nossas autoridades a nos ajudarem a defender e assegurar nossos direitos”,
destacou a profissional.
De forma ordeira e pacífica, o movimento atingiu um de seus objetivos, que era de sensibilizar a população.
“Estou aqui para ajudar essas pessoas que foram tão importantes para nós durante o pior momento vivido, que foi a pandemia. Tive familiares que estiveram por dias internados e foram essas pessoas que estavam ali do lado deles, que sofreram com muitas famílias porque ver tanta gente partir não deve ser fácil. Reconheço o valor deles e não tinha como pagar, mas hoje estou aqui e vou ajudar”,
destacou Flávia Lima apoiadora da categoria.
Durante o manifesto, foram colhidas assinaturas para encaminhar às autoridades competentes.
A lei suspensa define que o mínimo que um enfermeiro pode ganhar nos hospitais públicos ou privados é R$ 4.750. Já o piso dos técnicos de enfermagem é R$ 3.325 e o dos auxiliares e parteiras, R$ 2.375.




