O endividamento das famílias brasileiras reforça a importância da educação financeira como instrumento para melhorar a relação das pessoas com o dinheiro. Segundo dados atribuídos à Serasa, o Brasil chegou a 83,98 milhões de pessoas inadimplentes em agosto de 2026. Juros elevados, crédito caro, despesas inesperadas e dificuldades de planejamento estão entre os fatores que comprometem o orçamento familiar.

O cenário também preocupa as instituições financeiras e as cooperativas de crédito, que dependem da saúde financeira de seus associados para manter relações sustentáveis e contribuir para o desenvolvimento das comunidades.

Para Rogério Machado, superintendente de Cooperativismo do Sicredi, é necessário ajudar as pessoas a compreenderem melhor suas possibilidades financeiras e a tomarem decisões adequadas à realidade de cada uma.

“A gente precisa conscientizar as pessoas, como a gente pode fazer negócios melhores, dado a fase de vida de cada cidadão”,

afirma Machado. Segundo ele, a educação financeira faz parte do compromisso da instituição com o associado.

O bem-estar financeiro está relacionado à capacidade de organizar as contas, honrar compromissos, lidar com imprevistos e fazer escolhas que permitam construir um futuro com mais segurança. Nesse contexto, a educação financeira não se resume a ensinar a economizar, mas também a compreender o uso consciente do crédito e a planejar os gastos de acordo com a renda e os objetivos pessoais.

Machado destaca que o Sicredi busca oferecer orientação aos associados por meio de cursos, treinamentos e outras iniciativas.

“Só no ano passado foram mais de 1 milhão de pessoas que participaram de algum movimento, de algum curso, de algum treinamento sobre educação financeira”,

relata o superintendente de Cooperativismo do Sicredi.

A proposta é ampliar o acesso à informação e contribuir para que as pessoas façam escolhas financeiras mais conscientes em diferentes etapas da vida.

Uma das iniciativas do Sicredi é o programa Finanças na Mochila, voltado à educação financeira nas escolas. De acordo com o Relatório de Sustentabilidade da instituição referente a 2025, o programa alcançou 657 escolas, 81.525 estudantes e 4.399 professores, em 179 municípios de 15 estados brasileiros. Em Mato Grosso, foram 3.689 estudantes atendidos.

Ações também em Tangará da Serra - Em abril de 2026, uma ação realizada em Tangará da Serra reuniu a Secretaria Municipal de Assistência Social, a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e o Sicredi para abordar a educação financeira com pessoas idosas. Foram 40 participantes. A atividade tratou de temas como orçamento e organização das finanças pessoais.

A iniciativa mostra como o conhecimento financeiro pode ser adaptado às diferentes fases da vida. As necessidades de quem está começando a trabalhar, de uma família que financia a casa própria e de uma pessoa aposentada são distintas — e a orientação precisa considerar essas diferenças.

A educação financeira também pode ser trabalhada de maneira lúdica. No Centro Administrativo Sicredi- (CAS), em Porto Alegre, a instituição mantém um espaço infantil desenvolvido em parceria com a Mauricio de Sousa Produções, com personagens da Turma da Mônica e atividades que simulam situações do cotidiano, como compras e operações bancárias.

A parceria também resultou em seis histórias em quadrinhos sobre educação financeira, com mais de 2 milhões de exemplares distribuídos. A proposta é aproximar o assunto do universo infantil e mostrar, por meio de situações familiares às crianças, a importância de fazer escolhas e compreender o valor do dinheiro.