"Nada resiste ao trabalho". Este foi o lema de Antonio Porfírio de Brito, o Porfirão, segundo prefeito de Tangará da Serra, entre 1982 e 1988, administrando com firmeza, sabedoria, austeridade e muito amor pela cidade, pela comunidade e por tudo o que fazia. O Diário da Serra tem a honra e grata satisfação em contar um pouco da história deste homem que contribuiu de maneira singular com o Município. Uma das filhas, Suzelí Porfírio de Brito, concedeu a entrevista que resultou na narrativa a seguir:
Antonio Porfírio de Brito nasceu em 23 de junho de 1931, em Bodocó, estado de Pernambuco. Filho caçula de José Porfírio de Brito e Adelaide Maria de Jesus,
“começou a trabalhar ainda menino, levando pela vida um positivismo e sentido de administração inigualável. Estudou até a 4ª série primária, mas sua sabedoria reinou tempo integral, durante sua vida”,
conta a filha.
Casou-se com Arlete Daisy Cichetti de Brito com quem teve três filhas: Suzi, Suelí e Suzelí Porfírio de Brito. O filho mais jovem, Willian Antônio Porfírio de Brito, nasceu em 1987. Administrou por 21 anos uma empresa de sete irmãos japoneses, na capital do estado de São Paulo, chamada Expresso Real Limitada.
“Jamais tirou férias neste período e atingiu o objetivo de expandi-la no Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso”.
Regido pela honestidade, Antonio Porfírio de Brito não foi um cidadão comum.
A chegada: o início de uma trajetória em Tangará da SerraEm 1968 Porfirão chegou a Tangará da Serra, e usou do seu conhecimento para o desenvolvimento do então Distrito na época. Ali começava sua trajetória de trabalho, amor e dedicação pela cidade. Candidatou-se a prefeito de Barra do Bugres, representando o Distrito de Tangará da Serra, em 1970. Perdeu a eleição para Hitler Sansão, o que não o abalou.
Em 1971 transformou sua casa em um hospital, acolhendo inúmeras famílias que sofriam da chamada “Maleita”, na época. Sempre acompanhado pela esposa Dona Arlette. Foi o juiz de futebol mais respeitado no início de Tangará. Impunha respeito. Administrou fazendas e sempre foi popular, companheiro e autônomo.
Porfirão é eleito prefeito de Tangará da SerraEm 1981, Antonio Porfírio de Brito se candidatou ao cargo de prefeito de Tangará da Serra e ganhou honrosamente. Foi trazido nos ombros pelos eleitores, subiu a Serra de Tapirapuã no compromisso de trabalhar pelo bem-estar das pessoas de modo geral.
Durante os três primeiros anos do seu mandato, que durou 7 anos, fez estradas vicinais, construiu pontes, idealizou e deu suporte aos pequenos e médios produtores criando o “cinturão verde” para proporcionar a Feira Municipal e organizou o Paço Municipal.
A filha Suzelí conta que nos anos seguintes fez Tangará da Serra despontar no cenário estadual, como polo, em todos os segmentos.
“Administrou com rigor, construindo a Avenida Brasil, por sinal, na época, tão moderna que era comparada às Avenidas de São Paulo e Paraná, a Rodoviária, a Praça da Bíblia, o Estádio Municipal, inúmeras escolas, Postos de Saúde, entre outras obras”,
destaca a filha.
Suzelí lembra que durante todo o tempo em que esteve na administração pública, Porfírio teve por lema “Nada resiste ao trabalho” e fazia questão de expor as contas da Prefeitura no mural, para que a população tivesse a par de onde ele aplicava o dinheiro público.
“Os vereadores na época tinham pouco o que contestar”,
garante.
E realmente, sua conduta a frente da Prefeitura é incontestável. Ao entregar o mandato ao prefeito seguinte, Porfírio deixou contas pagas, dinheiro em caixa e colocou na Avenida Brasil uma frota de caminhões e maquinários em perfeitas condições e todos adquiridos com recursos próprios.
Porfírio eleito deputado estadualAntonio Porfírio de Brito deixou a Prefeitura em 1988, após um mandato de sete anos. Pouco depois, em 1990, foi eleito Deputado Estadual. Como representante da região de Tangará da Serra na Assembleia Legislativa de Mato Grosso ele reduziu em mais de 60% o número de funcionários do seu gabinete, diminuindo de 21 para apenas 7 assessores. Além disso, enquanto parlamentar, Porfírio doou 70% do seu salário para pessoas menos favorecidas.
Homem produtivo se negou a aposentar-seAntonio Porfírio de Brito sempre chamou a atenção pela sua força e determinação. A filha, Suzelí, lembra que a maioria das pessoas trabalha já visualizando a aposentaria, o que não ocorreu com Porfírio. Ele
“renunciou ao mandato quando faltava apenas três meses, dizia-se produtivo e outras pessoas precisavam [da aposentadoria] mais que ele. Sustentou-se até o sepultamento”,
fala.
A filha relata ainda que de maneira dolorosa, o pai
“perdeu a seguinte eleição à Prefeitura de Tangará da Serra o que o fez decidir a se mudar para a cidade de Brasnorte, onde viveu 23 anos. Lá também destacou-se pelo caráter e hombridade”.
“Teve momentos de acertos e momentos de erro também, como qualquer ser humano. Mas a grandiosidade do seu coração encantava. Se redimiu diante de Deus Pai Todo Poderoso e estar no seio da família era o que de mais sagrado dizia possuir, pois ainda que doesse entre seus familiares, conseguiu fazer a verdade prevalecer”,
diz a filha.
Os documentos que Porfírio guardou por décadasCerca de duas décadas após deixar os cargos de prefeito e deputado estadual, em 2013, Antônio Porfírio de Brito convidou a filha Suzelí para uma tarefa diferente: Queimar todas as vias de tudo o que ele havia feito enquanto ocupou os dois cargos eletivos.
“Lia, lembrava e queimava. Processo que durou mais de uma semana. E quando indagado sobre o porquê de ter guardado tudo e durante tantos anos, ele respondeu que, se alguém o questionasse, ele teria como provar que agiu com retidão”,
conta Suzelí.
O prefeito madrugador e o reconhecimento que só veio depoisA filha de Antonio Porfírio de Brito, Suzelí, relata que por muitas ocasiões o pai não foi bem visto pelos cidadãos durante seus mandatos de Prefeito e Deputado, por tomar medidas firmes, por ser honesto com quem não o queria ser.
“Testemunhos não faltam de que era um Prefeito Madrugador. Sua fama de servidão ao próximo, foi reconhecida somente anos depois. Falava pouco e exemplificava muito com sua maneira de agir.”
“Como chefe de família ele ensinou a pescar ao invés de dar o peixe. Não deixou heranças terrenas aos filhos, netos e bisnetos, mas, deixou encravado nos corações dos familiares e imortalizado na história de Mato Grosso um legado, que foi o seu exemplo de vida, coberto de honestidade, caráter, resistência, persistência, sabedoria ao servir o próximo”,
pontua a filha.
O falecimento e a homenagem
Antonio Porfírio de Brito faleceu em 17 de novembro de 2015, no Pronto Socorro Municipal de Cuiabá. Cerca de um mês antes de seu falecimento, ele pediu para ser sepultado junto com sua esposa Arlete Daisy, no parque Bom Jesus de Cuiabá.
Em 2019 o então prefeito municipal, Fábio Junqueira, apresentou projeto revogando a Lei Municipal 513/89, que deu nome de Mané Garrincha ao estádio de Tangará da Serra. O projeto foi aprovado por unanimidade, tornando-se a Lei Ordinária número 5.223/2019. Com isso o estádio recebeu a nomenclatura, em 1º de novembro de 2019, de Centro Poli Esportivo Antônio Porfírio de Brito – Porfirão.
“Nós, os “Porfírios”, somos gratos a Deus por termos o sangue deste vencedor e carregaremos o orgulho de sua retidão. Suzi, Sueli, Suzelí e Willian, somos gratos pelo carinho que Tangará da Serra teve com nosso pai. Saudades eternas!”.




