Setembro Amarelo é um mês voltado à conscientização sobre a prevenção do suicídio, um tema que requer sensibilidade e entendimento dos fatores que influenciam esse comportamento. Nos artigos anteriores, destaquei a responsabilidade ao abordar o assunto e como agir em crises. Agora, é essencial discutir os fatores de risco e, principalmente, os de proteção, que podem transformar a vida de quem sofre.

Quando falamos de fatores de risco, referimo-nos àqueles elementos que podem aumentar a vulnerabilidade de uma pessoa ao suicídio. Entre eles estão o histórico de tentativas prévias, transtornos mentais como depressão e ansiedade, abuso de substâncias, traumas emocionais, isolamento social, eventos estressantes recentes como perdas significativas e dificuldades financeiras. Esses fatores, combinados ou isoladamente, criam um cenário delicado, que exige atenção e apoio especializado.

No entanto, focar apenas nos riscos seria negligenciar um aspecto crucial na prevenção: os fatores de proteção. Estes são os elementos que podem reduzir a probabilidade de uma pessoa desenvolver comportamentos suicidas, fortalecendo sua resiliência e capacidade de enfrentar adversidades.

Entre os principais fatores de proteção estão o apoio social, o fortalecimento de laços familiares, a presença de um ambiente acolhedor, o acesso a serviços de saúde mental de qualidade, a promoção de hábitos saudáveis e a prática de atividades físicas e culturais que promovam o bem-estar.

A presença de um vínculo afetivo forte com familiares, amigos ou até mesmo com a comunidade escolar, no caso de adolescentes, é uma das formas mais eficazes de proteção. A solidão e o isolamento podem potencializar os pensamentos suicidas, mas quando há alguém disposto a ouvir sem julgamentos, a tendência de esses pensamentos se intensificarem pode ser significativamente reduzida.

Além disso, é importante mencionar que a busca por ajuda profissional, como psicólogos e psiquiatras, é um fator de proteção essencial. Ao olhar para os fatores de proteção, devemos lembrar que, ao mesmo tempo em que podemos identificar as vulnerabilidades, podemos também potencializar os aspectos positivos que cercam a vida das pessoas. Não se trata de negar a dor, mas de buscar formas de enfrentá-la com apoio, amor e acolhimento.

Euller Sacramento é Psicólogo Clínico
Insta: @eullersacramento