Além de encerrar o processo que envolvia reconhecimento de vínculo e estabilidade provisória da gestante, a conciliação pacificou o caso.
A entrega da muda da árvore nativa da região marcou o lançamento do projeto Cultivar a Paz, cujo objetivo é sedimentar a cultura de pacificação dos conflitos e estimular a preservação do meio ambiente.
Idealizado pela juíza da 2ª Vara de Tangará da Serra, Claudirene Ribeiro, o projeto nasceu da junção de duas paixões da magistrada: a questão ambiental, surgida quando cursava sua primeira graduação, em geografia, e o prazer de ajudar a solucionar conflitos trabalhistas por meio da conciliação.
“Quando você cultiva uma planta, você se envolve. E ao se envolver, dedica cuidado. E a ideia da conciliação também parte dessa necessidade de cuidado de uma pessoa para com a outra, da necessidade de empatia”,
explica Claudirene.
O projeto busca estimular acordos e a preservação do meio ambiente entre trabalhadores, empregadores e advogados. Mas não quer permanecer apenas aí. A ideia é que ele “vá se adaptando às necessidades do município e da região”, detalha a juíza.
Futuramente, o desejo é que cada acordo resulte diretamente no plantio de uma muda, ajudando a recuperar áreas desmatadas e criando um ‘bosque da paz’, formado por árvores plantadas para celebrar cada conciliação firmada na Justiça do Trabalho da cidade.
O juiz da 1ª Vara de Tangará da Serra, Mauro Vaz Curvo, abraçou a proposta e também se tornou parceiro na implementação do Cultivar a Paz. Com isso, a expectativa é que ao menos 70 mudas sejam distribuídas todos os meses às partes que fizerem a composição amigável em processos judiciais nas varas da cidade.
TANGARÁ – Projeto Cultivar a Paz estimula acordos e a preservação do meio ambienteO Cultivar a Paz é realizado em parceria com o Município de Tangará da Serra, que faz o repasse das mudas de espécies nativas da região, como o ipê e árvores frutíferas cultivadas no viveiro da cidade.
O prefeito Vander Alberto Masson acredita que o impacto irá além da educação ambiental ao ajudar a reflorestar áreas da cidade, principalmente córregos urbanos.
“Precisamos conciliar o nosso crescimento e desenvolvimento econômico com a preservação ambiental”,
disse.
Para a juíza Claudirene, a entrega das mudas vai além do simbolismo.
“A ideia não é apenas fazer o acordo, mas que saiam daqui com a sensação de paz, de que conseguiram fazer o melhor que podiam naquele momento. A paz é algo que exige cuidado e com a planta é a mesma coisa. Se você não cuidar, ela vai morrer!”,
destacou.
Para além da questão trabalhista, o desejo é que as partes envolvidas passem a olhar a vida com responsabilidade.
“Toda vez que vocês olharem para a planta, lembrem-se também de olhar ao seu redor aquilo que você pode melhorar no sentido de pacificar e de sensibilizar com as demais pessoas”,
finalizou a juíza.




