A maioria dos estudantes dos cursos de graduação passam entre quatro e cinco anos frequentando aulas relativas a sua formação profissional. Ao longo desta jornada a convivência com colegas e professores cria laços que às vezes extrapolam os anos passados na universidade. Mas em meio a essa rotina surgem momentos onde é possível conhecer gente nova, descolada e apreender novas formas de se pensar. Esses momentos são os eventos científicos.

Em todas as áreas do conhecimento existem eventos científicos que reúnem personalidades de renome nacional e internacional em meio a professores, pesquisadores e acadêmicos de graduação e também de pós-graduação. Esses eventos são geralmente sediados em universidades e a participação neles geralmente se dá por meio de trabalhos científicos denominados comunicação oral ou pôster.

Uma comunicação oral é um recorte de pesquisa concluída ou em andamento na qual o acadêmico apresenta resultados de experimentações. Consiste em exercício teórico-metodológico relevante para o avanço da área em que se atua. Quase sempre este acadêmico está sob a orientação de um professor que está ali para qualificar a pesquisa. Já um pôster é uma produção mais simples e que traz um pequeno recorte temático sendo o modelo preferencial dos eventos para apresentação de trabalhos de estudantes de graduação.

Tanto a comunicação oral quanto o pôster são modalidades de trabalhos que são apresentados em sessões onde de acordo com a abrangência do evento o acadêmico irá se deparar com colegas estudantes de muitas universidades com realidades às vezes próximas, outras vezes totalmente diversas das suas e é daí que se extrai o melhor da participação nos eventos: a troca de experiências que dá completude ao futuro profissional.

Na área de comunicação só para citar alguns exemplos relevantes temos anualmente o Intercom, evento promovido pela Sociedade Brasileira de Ciências da Comunicação que reúne jornalistas, publicitários, relações públicas, estudantes e técnicos da área. A Sociedade Brasileira de Pesquisa em Jornalismo – SBPJor também promove eventos nacionais, de periodicidade bianual. Há eventos multidisciplinares como as Reuniões Anuais da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC que reúne a nata da intelectualidade nacional. Em todos esses exemplos a experiência de participação é enriquecedora e inesquecível.

A participação em eventos garante ainda ao acadêmico as chamadas horas de atividade complementar e todos os cursos possuem uma carga horária para esse tipo de atividade a partir de 200 horas. Mas essa é a menor das aplicações que se pode esperar de um evento científico.

O que mais se busca ao participar de um evento, principalmente se ele for realizado de forma presencial é esse contato com realidades diversas das nossas. Com o arrefecimento da pandemia os eventos presenciais voltaram. Em outubro último tive a oportunidade de participar do II Congresso Internacional de Língua Portuguesa – CILP realizado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ e pude ver no olhar de cada participante a satisfação em voltar a ocupar estes espaços de troca. A dica que dou é que se você nunca foi a um evento científico vá o quanto antes. É experiência para a carreira e a vida.

Miguel Rodrigues Netto é Jornalista/UFMT. Licenciado em Letras/Unicesumar. Mestre em Política Social, Estado e Direitos Sociais/UFMT e Doutor em Ciências Sociais/PUC/SP. Professor efetivo da Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT.