Esta semana uma mãe me procurou em desespero. Seu filho havia tentado tirar a própria vida. Os olhos dela, vermelhos de tanto chorar, me encaravam em busca de respostas que, naquele momento, pareciam impossíveis.

— Doutor, por que ele fez isso? Ele tem tudo! Não entendo... deve ser para chamar atenção, não é?

Quantas vezes ouvi essa frase. Quantas vezes vi pais confundindo um grito de socorro com uma simples “fase” ou “drama adolescente”. Quando um filho diz que não quer mais viver, o chão se abre. O mundo desaba. E no desespero, muitos pais reagem da pior forma possível.

“É frescura!”

“Para de drama!”

“Isso é coisa de quem não tem o que fazer!”

“Na minha época ninguém tinha essas coisas!”

“Se você se matar, eu morro junto!”

Cada uma dessas frases é como uma faca no coração de quem já não vê sentido em continuar. Alguém que tenta se matar não está “querendo aparecer”. Está querendo DESAPARECER. A dor é tão intensa que a morte parece o único alívio.

O adolescente que pensa em suicídio já não enxerga cores no mundo. A rotina perdeu o sentido. Os sonhos se apagaram. Ele quer apenas uma coisa: ir embora. E quando finalmente compartilha esse sentimento, muitas vezes é recebido com incompreensão ou raiva.

Pais, se seu filho chegou ao ponto de dizer que não quer mais viver, ESCUTEM. Não julguem. Não briguem. Não diminuam o que ele sente. Aquele momento não é sobre vocês, sobre sua criação ou sobre o que os outros vão pensar. É sobre uma vida que está por um fio.

Acolher não significa concordar. Acolher é dizer: “Estou aqui. Sua dor é real. Vamos buscar ajuda juntos.” É mostrar que, mesmo sem entender completamente, você está disposto a caminhar ao lado.

Resgatar o sentido da vida de alguém que já não o encontra é um processo lento, mas possível. Exige paciência, amor incondicional e ajuda profissional especializada.

Por isso escrevi o e-book gratuito “Como ajudar um adolescente com pensamentos suicidas”, disponível no meu Instagram (@eullersacramento). Um guia para pais que precisam de orientação nesses momentos difíceis.

Lembre-se: seu filho não escolheu sentir essa dor. Ele não está fazendo isso para magoar você. Ele está sofrendo e precisa de ajuda – não de julgamento.

E você, já parou para realmente ESCUTAR o que seu filho está tentando dizer?

Euller Sacramento é Psicólogo Clínico.
Instagram: @eullersacramento