Após quatro meses, nascente do Queima Pé apresenta sinais de recuperação

O Município de Tangará da Serra, através de parceria com o Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do Rio Sepotuba, Instituto Pantanal Amazônia de Conservação (IPAC) e Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), entre outros, realizou nos meses de setembro e outubro do ano passado um trabalho de recuperação da nascente do Rio Queima Pé, principal responsável pelo abastecimento da cidade.

Os trabalhos, que foram coordenados pelo engenheiro agrônomo e consultor ambiental Décio Elói Siebert e pelo especialista em recuperação de nascentes, Quirino Kesler, modificaram a paisagem do local. Após quatro meses, a nascente do Queima Pé apresenta sinais de recuperação, como imagem registrada no dia 5 de fevereiro, abaixo do local onde foi feito o trabalho de recuperação.

“Os resultados já podem ser observados, porque nesse local, no ano passado, tinha pouquíssima água ou quase nem corria água. Mostra que realmente, parte da água que foi coletada e que infiltrou no lençol freático, já está saindo através das nascentes. Claro, tem a contribuição das águas das chuvas também, evidente, mas o que a gente vê é que não é uma água suja, como a água das chuvas. Mesmo ficando dois, três dias sem chover, você vê que aquele volume de água fluindo e mostra, realmente, que está acontecendo essa recarga do lençol freático nas nascentes do Queima Pé”,
comemora o consultor ambiental Décio Elói Siebert, em entrevista exclusiva ao Diário da Serra.

Siebert lembra que no local foram construídas as bacias de contenção na margem da estrada, com objetivo de conter as águas das chuvas, construída no entorno da cabeceira uma curva de nível e dentro dessa curva de nível e dessas bacias de contenção, foram instalados alguns mecanismos, chamados de intensificadores de recarga do lençol freático, que são mecanismos que auxiliam na aceleração da infiltração das águas das chuvas.

“Com esses mecanismos e mais essa contenção das águas, quando chove a infiltração das águas das chuvas ocorre efetivamente. (…) Isso é fundamental para que aconteça a recarga do lençol freático, porque as nascentes brotam da água armazenada no lençol freático”.
“É possível se fazer isso em toda a bacia do Queima Pé”

O resultado obtido na nascente do Rio Queima Pé após quatro meses do início da recuperação mostra a necessidade de expansão desse trabalho.

Segundo o consultor ambiental Décio Elói Siebert, o prefeito de Tangará da Serra, Vander Masson e o diretor do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae), Heliton Oliveira se mostraram favoráveis a continuidade desse trabalho, nas outras nove nascentes dos afluentes do Queima Pé, assim como do Ararão.

“É possível se fazer isso em toda a bacia do Queima Pé e do Ararão. O Queima Pé tem a nascente principal e mais nove nascentes de afluentes que podem ser trabalhadas também (…) levantando as estradas, construindo as bacias de contenção e instalando esses mecanismos dentro das bacias de contenção e nas áreas de cabeceira. São coisas que podem e devem ser feitas para se aproveitar o máximo essas águas das chuvas. Essa é a fonte natural que nós temos e o resultado obtido mostra esse aproveitamento”.

Para este trabalho, segundo Siebert, o Município tem caixa para isso, através do programa Pagamento de Serviços Ambientais (PSA).

“Se fizer a mudança da lei de Pagamento de Serviços Ambientais, esse um milhão e 700 mil que está parado no fundo, e que todo mês é alimentado com aquela cobrança na conta da água, se utilizar esse recurso dá para fazer toda a recuperação da parte da bacia do Queima Pé e ainda sobra”,
destaca,

ao afirmar que este trabalho de recuperação poderia ser feito neste ano.

“E no próximo período de chuvas já se aproveita toda essa água. (…) pois quanto maior a quantidade de água que a gente conseguir fazer infiltrar, maior é a nossa reserva para a época da seca”.