Se os pais bem soubessem o quanto perdem quando deixam as comemorações e apresentações escolares de seus filhos relegados aos últimos planos ou quiçá nenhum plano, ficariam estarrecidos, e o pior de tudo, é que talvez mais tarde se deem conta disso, no entanto já foi e não há como recuperar esse tempo perdido, falo por experiência própria, pois sou daquelas mães presente, nas reuniões, apresentações, entrega de boletins e tudo quanto meus filhos têm de direito, mas numa dessas apresentações, por motivo de doença tive que faltar.
Eles apresentaram e como são tempos de tecnologia, tudo ficou registrado em vídeos e encravado no meu coração, aquele olhar, um olhar que reconhecerei em qualquer lugar, o olhar da ausência, como doeu e como dói aquele olhar de procura, decepção de quem não encontra dentre a multidão da plateia o seu ente querido. Confesso que chorei, um choro sentido, daquilo que já não está e que eu não posso recuperar, não olhei mais para aquele vídeo, tentei esquecer...Tentei, pois, a lembrança estava guardada nos escombros da minha memória, esperando apenas o momento certo para retornar e agir e eis que esse momento chegou...
Dia de encerramento dos projetos, consonância dos trabalhos desenvolvidos na creche e mais uma apresentação do meu filho, não perderia por nada, nem mesmo a chuva atrapalhou nossa ida... Chuva a cair, um espaço de poucos metros quadrados, para um palco improvisado, pais, filhos, professores, coordenadores, funcionários, todos bem exprimidos aglomerados ali, na expectativa do início das apresentações. Nos acomodamos bem longe do palco e logo em seguida a coordenadora chamou os alunos da turminha do meu filho, ao leva-lo até as professoras para vestir-se para a apresentação encontrei espaço no banco bem de frente para o palco, pensei que sorte, vou poder filmá-lo bem de perto e eis que algo chama a minha atenção, uma menina inquieta. Não sei se sentou antes ou posterior a mim. Disse toda cheia de si: Eu vim sozinha, a coordenadora e a diretora se entreolharam com olhar desacreditado e perguntaram: Como assim? E ela com uma voz firme respondeu: É, eu vim sozinha, meu tio me trouxe e elas ah, você não veio sozinha! O olhar delas e o meu pensamento diziam, imagina uma menina de seis anos, andando na chuva e ainda por cima à noite? Quem seria o louco de deixar? Se bem, que existem muitos por aí, mas não era o caso daquela menina, como pude mais tarde testemunhar com os meus olhos, ela está se forjando em meio a muito amor...




